Allianz Parque vira capital da América Latina em passagem histórica de Bad Bunny pelo Brasil

Duas noites, 92 mil fãs, quase cinco horas de música e homenagens especiais consolidam a arena como um dos principais destinos de grandes espetáculos internacionais

Staff Images/Allianz Parque
Bad Bunny no Allianz Parque

O Allianz Parque reafirmou seu papel como um dos principais palcos de grandes espetáculos do continente ao receber a aguardada passagem de Bad Bunny pelo Brasil. Durante duas noites históricas, a arena paulistana se transformou no centro da música latina global, um verdadeiro ponto de encontro de fãs de diferentes países, consolidando a percepção de que o Allianz Parque virou a capital da América Latina nesses dias.

Ao todo, 92 mil pessoas passaram pela arena nas duas apresentações, em um evento que combinou grandiosidade, emoção e forte mobilização do público. O repertório reuniu 61 músicas, 30 no primeiro dia e 31 no segundo, em um total de 296 minutos de show, reforçando a dimensão da produção e a entrega do artista ao público brasileiro.

A noite começou com a banda porto-riquenha Chuwi, que abriu o show misturando ritmos caribenhos e emocionou o público brasileiro. Antes da entrada de Bad Bunny, um curta exibido no telão, estrelado pela atriz brasileira Lili de Siqueira, introduziu o universo do álbum e reforçou a conexão com o país. Quando surgiu no palco, o artista se mostrou comovido com a recepção calorosa e agradeceu aos fãs, celebrando a realização do sonho de se apresentar no Brasil.

O repertório trouxe contrastes marcantes, como a sequência de “BAILE INoLVIDABLE”, festiva e nostálgica, e “NUEVAYoL”, que aborda identidade latina e experiência da diáspora. O show também teve momentos simbólicos de aproximação cultural, como o solo de “Garota de Ipanema” tocado em um cuatro porto-riquenho e referências a “Mas, Que Nada”. No segundo ato, Bad Bunny foi para a estrutura “La Casita”, no fundo da pista, apareceu com a camisa da seleção brasileira de 1962 e conduziu um bloco de hits que transformou o Allianz Parque em um grande perreo coletivo, reforçando a ideia de união cultural entre latinos.

A arquitetura do palco, com diferentes pontos de atuação como “Los Vecinos” e a própria “Casita”, criou uma experiência em 360 graus e ampliou a sensação de comunidade. No fim, o personagem animado Concho surgiu no telão, trazendo humor e também uma camada simbólica: inspirado em uma espécie de sapo ameaçada de Porto Rico, ele funciona como metáfora da identidade porto-riquenha diante de pressões sociais e urbanas, sintetizando o tom cultural e político presente na estética do álbum e do espetáculo.

O impacto do evento também foi visível fora do palco. A mobilização dos fãs começou muito antes da abertura dos portões: houve registros de pessoas chegando para a fila já às 21h da quinta-feira, demonstrando o apelo do artista e a dimensão da expectativa para os shows.

Entre essas histórias está a do fã Robert Vélez, que enfrentou uma longa jornada para assistir ao espetáculo. “Estou muito emocionado, porque sou uma das 10 primeiras pessoas na fila para ver o show. Foram mais de 36 horas de viagem e mais de 4 mil quilômetros de distância de Santa Cruz de la Sierra, minha cidade natal, até São Paulo. Vim exclusivamente pelo Bad Bunny. Estou no melhor lugar para poder vê-lo, no Allianz Parque”, afirmou.

A passagem do artista pela arena reforça a vocação do Allianz Parque para receber produções internacionais de grande porte, colocando São Paulo definitivamente na rota dos principais espetáculos mundiais. Mais do que dois shows, as apresentações de Bad Bunny consolidaram o espaço como um dos centros mais relevantes da música ao vivo no continente e demonstraram a força do público latino, capaz de transformar a cidade no epicentro cultural da região.

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