Golpe digital faz Viih Tube perder quase R$ 7 mil: o que fazer se acontecer com você?
Especialista em Direito do Consumidor orienta vítimas e esclarece responsabilidade dos bancos.
A influenciadora digital e ex-BBB Viih Tube revelou que perdeu cerca de R$ 6.800 após cair em um golpe ao tentar vender um sofá pela internet. O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o alerta sobre fraudes cada vez mais sofisticadas em transações online.
Segundo relato da própria influenciadora, após anunciar o móvel em um marketplace, ela foi orientada por supostos representantes da plataforma a realizar transferências via Pix sob a justificativa de “taxas” e “validação da venda”. Convencida pela abordagem aparentemente profissional dos criminosos, acabou efetuando os pagamentos.
Nas redes sociais, desabafou: “Estou me sentindo extremamente burra. Chorei de raiva… na minha cabeça eu estava confirmando para receber meu dinheiro”, contou a influenciadora, que só percebeu a fraude após alerta do banco sobre movimentações atípicas.
Consumidor tem direitos nesse tipo de golpe?
De acordo com o advogado especialista em Direito do Consumidor e Direito Bancário, Dr. Thacísio Rios, sim — o consumidor pode ter direitos, dependendo das circunstâncias.
“A responsabilidade das instituições financeiras é objetiva, conforme o Código de Defesa do Consumidor. Isso significa que o banco responde independentemente de culpa quando há falha na prestação do serviço. Inclusive, em muitos casos, os próprios bancos reconhecem internamente como culpa exclusiva da instituição financeira — e não do consumidor — quando ficam evidentes falhas nos mecanismos de segurança”, explica.
Segundo o especialista, os tribunais brasileiros já consolidaram entendimento de que bancos devem adotar sistemas eficazes para identificar movimentações atípicas, bloqueios preventivos e mecanismos antifraude eficientes.
“No caso concreto da Viih, é possível discutir inclusive a responsabilidade solidária. Tanto a instituição financeira quanto a plataforma de marketplace podem responder conjuntamente, caso fique demonstrado que houve falha na segurança, na comunicação ou nos protocolos de verificação. O consumidor não pode arcar sozinho com o prejuízo quando há defeito na cadeia de fornecimento do serviço”, acrescenta o advogado.
Quando o consumidor pode ser ressarcido?
O advogado explica que é possível reaver o dinheiro, especialmente quando:
* Há falha na segurança bancária.
* O sistema não bloqueou transações claramente suspeitas.
* A vítima comunica o banco imediatamente após perceber o golpe.
* Fica demonstrado que houve engenharia social sofisticada, sem negligência grave da vítima.
* Há falha da plataforma digital na proteção do ambiente de negociação.
“Cada caso precisa ser analisado individualmente. Mas é plenamente possível obter restituição judicial quando se comprova que o banco não ofereceu segurança adequada. E, em situações envolvendo marketplaces, a Justiça tem reconhecido a responsabilidade solidária entre banco e plataforma”, afirma Dr. Thacísio.
O que fazer ao cair em um golpe?
Segundo Dr. Thacísio Rios, a vítima deve agir rapidamente:
1. Comunicar imediatamente o banco e solicitar bloqueio da conta.
2. Pedir abertura de contestação formal da transação.
3. Registrar boletim de ocorrência.
4. Guardar prints, comprovantes e protocolos.
5. Procurar orientação jurídica especializada.
“A rapidez é determinante. Quanto antes o banco for comunicado, maiores as chances de bloquear valores via mecanismo especial de devolução do Pix”, reforça.
Como evitar cair nesse tipo de fraude?
Dr. Thacísio destaca medidas preventivas:
* Nunca pagar “taxas” fora da plataforma oficial.
* Desconfiar de contatos via WhatsApp que se dizem representantes de empresas.
* Nunca compartilhar códigos enviados por SMS.
* Confirmar qualquer procedimento diretamente no aplicativo oficial.
* Ativar autenticação em dois fatores.
É possível recuperar o dinheiro?
Sim, é possível — mas não é automático.
A devolução pode ocorrer:
* Administrativamente, via banco (especialmente no caso do Pix, por meio do Mecanismo Especial de Devolução).
* Judicialmente, caso fique comprovada falha na segurança da instituição financeira ou responsabilidade solidária com a plataforma digital.
“O consumidor não deve assumir automaticamente o prejuízo. A legislação brasileira oferece instrumentos de proteção, e muitos casos têm decisão favorável à vítima. É fundamental analisar tecnicamente a cadeia de responsabilidade”, conclui o advogado.
O episódio envolvendo Viih Tube mostra que qualquer pessoa pode ser alvo de fraude — e reforça a importância de informação, prevenção e conhecimento dos próprios direitos.
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