Assaí Atacadista fecha parceria com Mercado Livre e acelera disputa no varejo alimentar online

 Entrada do atacadista no marketplace começa no segundo trimestre pelo Sudeste com cerca de 400 itens não perecíveis, e deve pressionar supermercados, fornecedores e hábitos de consumo


O varejo alimentar brasileiro, que movimentou mais de R$1 trilhão em 2023 segundo a Associação Brasileira de Supermercados, entra em uma nova fase com a parceria firmada entre Assaí Atacadista e Mercado Livre para vendas online a partir do segundo trimestre. 

A operação terá início no Sudeste, com cerca de 400 itens não perecíveis, como produtos de higiene e limpeza. O Assaí será responsável por abastecer os centros de distribuição, enquanto o marketplace cuidará da armazenagem, separação e entrega ao consumidor final.

O movimento ocorre em meio à expansão consistente do comércio eletrônico. Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico indicam que o e-commerce nacional superou R$185 bilhões em faturamento em 2023. O Mercado Livre, por sua vez, registrou receita líquida superior a US$14 bilhões na América Latina no último ano, consolidando sua posição como principal plataforma da região.

Para Marcelo Marani, fundador e CEO da Donos de Restaurantes, escola de capacitação para empresários do foodservice, a parceria representa uma mudança estrutural no setor. “Quando uma rede do porte do Assaí entra de forma organizada em um marketplace, ela reconhece que o comportamento de compra mudou. O consumidor quer conveniência, preço competitivo e entrega rápida. Isso obriga todo o segmento a rever estratégia e operação”, afirma.

Além da venda ao consumidor final, as mais de 300 lojas do Assaí poderão utilizar o Mercado Livre Negócios para compras de insumos operacionais. Clientes do programa de fidelidade terão direito a cashback nas aquisições realizadas na rede. A integração conecta atacado, varejo e marketplace em um mesmo ecossistema digital.

Pressão sobre o setor supermercadista

A entrada do atacarejo em marketplaces amplia a concorrência com supermercados tradicionais e redes regionais que ainda concentram vendas no modelo físico. Segundo a NielsenIQ, o consumidor brasileiro prioriza formatos que combinem preço e conveniência, o que fortalece tanto o atacarejo quanto as plataformas digitais.

Marani avalia que a transformação exige preparo técnico. “Marketplace não é simplesmente abrir uma conta e esperar vender. É preciso dominar precificação, logística, gestão de estoque e margem. Caso contrário, o custo da plataforma pode comprometer o resultado”, diz.

Para fornecedores, a escala aumenta, mas também cresce a exigência por padronização, prazos e integração tecnológica. Para operadores físicos, a integração entre estoque da loja e centros de distribuição passa a ser decisiva.

O que muda na prática para o consumidor

A mudança mais visível está na rotina de compra. Antes, uma família que buscasse preços mais baixos em itens de higiene e limpeza precisava ir até uma unidade física do atacarejo, muitas vezes adquirindo grandes volumes. Com a parceria, o consumidor poderá acessar o aplicativo do Mercado Livre, incluir no carrinho produtos do Assaí, como arroz, detergente ou papel higiênico, junto com outros itens vendidos na plataforma, e receber tudo em casa.

Isso reduz o deslocamento, amplia a comparação de preços em tempo real e pode gerar cashback. Na prática, o modelo favorece reposições mais frequentes e compras fracionadas, alterando o padrão tradicional de abastecimento mensal.

“O consumidor está cada vez menos disposto a separar onde compra alimentos e onde compra outros produtos. Ele quer resolver tudo em um único ambiente digital, com previsibilidade e rapidez. Quem entender isso sai na frente”, conclui Marani.

A parceria reforça a consolidação dos marketplaces como infraestrutura central do varejo brasileiro e amplia a pressão competitiva sobre todo o segmento alimentar. Para empresas do setor, a digitalização deixa de ser diferencial e passa a ser requisito de permanência no mercado.


Sobre Marcelo Marani

Marcelo Marani é fundador e CEO da Donos de Restaurantes, uma das principais escolas para donos de restaurantes da América Latina. Professor formado em Ciência da Computação, com mestrado em Administração de Empresas, defendeu em 2007 uma tese que mostrava que 70% dos donos de restaurantes não trabalham com qualquer tipo de fidelização.

Empresário, sócio de mais de 10 empresas do foodservice, com um faturamento de R$30MM em 2024, tem mais 25 anos de experiência no mercado de alimentação e é considerado um dos maiores especialistas em gestão e aumento de faturamento para restaurantes do Brasil.

Marani é também apresentador de TV, no programa Café com Chef da Band todo domingo de manhã, é host do podcast mais escutado no Brasil para donos de restaurantes e também autor do livro Transforme o seu Restaurante em um Negócio Milionário, da editora Gente.

Marani já treinou mais de 25 mil empresários, em 19 capitais do Brasil, e já fez trabalhos em Portugal e na Argentina. Para mais informações, visite o Instagram ou pelo site.

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