Brasil e Nova Zelândia ampliam relação comercial e avançam em acordos bilaterais

Brasília, 05 de março de 2025 – Na manhã desta quinta-feira (05/03), a Secretária de Comercio Exterior do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Tatiana Prazeres, participou de um encontro com o ministro de relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, que lidera a visita de uma delegação comercial ao Brasil e outros países da América Latina.

Esq. para dir.: Stephen Blair, Diretor Reginal da New Zealand Trade & Enterprise para América Latina; Winston Peters, Ministro de Relações Exteriores da Nova Zelândia; e tatiana Prazeres, Secretária de Comercio Exterior do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio. Crédito: Agência Galo

Em seu discurso, Tatiana Prazeres disse que o Brasil passa por um momento de transformação relevante em sua política comercial, com iniciativas voltadas à ampliação da integração do país à economia global. A estratégia tem dois eixos principais: a expansão da rede de acordos comerciais e a modernização dos mecanismos de facilitação do comércio exterior. 

Segundo Tatiana, historicamente o Brasil manteve um número limitado de acordos comerciais preferenciais, que cobriam cerca de 12% do seu comércio internacional - índice significativamente inferior ao de economias mais abertas, como a Nova Zelândia, onde cerca de 70% do comércio está protegido por esse tipo de acordo, com meta de alcançar 90% até 2030. 

Na presença de CEOS de empresas da Nova Zelândia –  Gallagher, Loadscan, Seequent, FRAMECAD, QCONZ, AoFrio, Tait Communications, TrackGrip, LIC (Livestock Improvement Corporation) e AROA Biosurgery, entre outras – Tatiana explicou que o cenário brasileiro começou a mudar de forma acelerada. Em 2023, o Mercosul concluiu um acordo comercial com Singapura e, mais recentemente, avançou na conclusão de um acordo com os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Outro marco importante ocorreu em janeiro deste ano, quando o Senado brasileiro aprovou o acordo entre Mercosul e União Europeia, encerrando um processo de negociações iniciado há 26 anos. 
De acordo com a secretária, com base em novos instrumentos, a expectativa é que a parcela do comércio brasileiro coberta por acordos preferenciais salte de 12% para cerca de 31%, evidenciando um avanço significativo em um curto período.


Esse movimento conta com um nível incomum de convergência política e institucional no país, reunindo apoio do governo, da oposição, do setor privado e de representantes dos trabalhadores em torno da agenda de maior inserção internacional da economia brasileira. Outro eixo central da política comercial brasileira é a facilitação do comércio. Entre as principais iniciativas está a implementação do sistema de “janela única” para operações de comércio exterior, que busca simplificar e digitalizar procedimentos. O sistema já está plenamente operacional para exportações e, desde fevereiro, mais de 50% das operações de importação passaram a ser realizadas por meio da nova plataforma. A meta é atingir 100% das operações até o final do ano. A medida tem impacto direto na redução do tempo necessário para a liberação de mercadorias no país, com diminuição estimada entre 9 e 14 dias nos processos. Essa redução gera ganhos econômicos relevantes: cada dia economizado representa, em média, uma redução de custo equivalente a cerca de 0,8% do valor da mercadoria.

Além da digitalização dos processos, a iniciativa também inclui uma revisão regulatória mais ampla. Licenças consideradas desnecessárias estão sendo eliminadas e foram introduzidas as chamadas “licenças flex”, que permitem que uma única autorização cubra diversas operações por um período prolongado - de quatro a cinco anos -substituindo o modelo anterior, que exigia uma licença para cada operação individual. No campo da cooperação internacional, o Brasil identifica oportunidades de parceria em diversos setores estratégicos, entre eles tecnologias aplicadas ao agronegócio (agritech), soluções energéticas e o setor médico.

Audiovisual

Brasil e Nova Zelândia assinaram no Palácio do Itamaraty, na noite desta quarta-feira (04/03), um acordo inédito de coprodução audiovisual. O texto foi firmado pelos ministros de relações exteriores Mauro Vieira, do Brasil, e Winston Peters, do país da Oceania.

A assinatura representa um novo passo na aproximação entre Brasil e Nova Zelândia no campo da indústria audiovisual, incluindo TV, séries e animação, estabelecendo bases para o desenvolvimento de produções conjuntas, intercâmbio técnico e colaboração entre profissionais, empresas, instituições educacionais e culturais dos dois países. 

Sujeitos à legislação vigente em cada país, os benefícios previstos incluem acesso a financiamentos, incentivos e acordos de distribuição, além de facilitar a importação de equipamentos cinematográficos para a realização ou promoção de um filme em coprodução.

 

Sobre a New Zealand Trade & Enterprise  

A New Zealand Trade & Enterprise (NZTE) é a agência para o desenvolvimento do comércio internacional da Nova Zelândia. Sua atividade principal é oferecer suporte para que os negócios do país gerem alianças estratégicas e fomentem relações comerciais em nível internacional. Por meio de uma rede de 55 escritórios, a NZTE conecta os empreendimentos da Nova Zelândia ao mundo, compartilhando oportunidades, conhecimento, experiência e contatos. Para mais informações, acesse: https://www.nzte.govt.nz    

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