Exu, a partir do feminino, inaugura ciclo expositivo de 2026 no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
Palestra de Claudia Alexandre revisita o matriarcado nagô, tensiona narrativas históricas e abre o percurso conceitual da exposição "Padê - sentinela à porta da memória", que estreia no dia 21 de março
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| Claudia AlexandreDivulgação |
São Paulo, março de 2026 — Ao colocar em debate a dimensão feminina de Exu e o papel estruturante do matriarcado nagô na formação dos candomblés, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, inicia seu ciclo expositivo de 2026 com a palestra “Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô”, ministrada pela jornalista, escritora e pesquisadora de tradições de matrizes africana Claudia Alexandre, no dia 7 de março, das 14h às 15h30, no Teatro Ruth de Souza.
A palestra integra o Programa Pretuguês – Lélia Gonzalez, que reconhece a linguagem como ferramenta estética, política e epistemológica e afirma a centralidade da cultura negra na formação do Brasil. Inspirado no pensamento da intelectual brasileira, o Programa tensiona hegemonias eurocêntricas na produção de conhecimento e articula arte, pensamento social negro e pesquisa acadêmica contemporânea.
Ao final do encontro, haverá venda do livro Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô (Editora Aruanda, 2024), vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico.
Sobre a exposição “Padê - sentinela à porta memória”
Primeira pré-ativação da exposição “Padê – sentinela à porta da memória”, que inaugura em 21 de março sob curadoria de Vera Nunes e Rosa Couto, a atividade explicita o eixo conceitual da mostra ao revisitar processos históricos de masculinização e demonização nas tradições afro-brasileiras. A proposta é ampliar o debate público sobre gênero, religiosidade e memória afro-diaspórica, reposicionando Exu como força plural, cotidiana e constitutiva da cultura brasileira.
A exposição apresenta um recorte do acervo do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo em diálogo com artistas contemporâneos como Mônica Ventura, Edwige Aplogan, Zé Adário e Gustavo Nazareno. A mostra afirma Exu como princípio de movimento, comunicação e transformação, confrontando processos históricos de demonização e propondo novas leituras sobre ancestralidade e presença.
Sobre o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo administrada pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do seu fundador, Emanoel Araujo (1940-2022), o museu é um espaço de história, memória e arte. Localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do mais famoso parque de São Paulo, o Parque Ibirapuera, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo conserva, em cerca de 12 mil m², um acervo museológico com mais de 8 mil obras, apresentando diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiro e abordando temas como religiosidade, arte e história, a partir das contribuições da população negra para a construção da sociedade brasileira e da cultura nacional. O museu exibe parte deste acervo na exposição de longa duração e realiza exposições temporárias.



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