Mês da Mulher: menopausa exige atenção redobrada com a saúde do coração
Especialista alerta que sintomas atípicos e mudanças metabólicas aumentam a subestimação do infarto feminino após essa fase
Com a chegada da menopausa, o organismo feminino passa por mudanças hormonais significativas que impactam diretamente a saúde cardiovascular. Segundo a cardiologista Fernanda Douradinho, a queda do estrogênio, hormônio com papel cardioprotetor, marca uma transição importante no risco de doenças cardíacas entre as mulheres.
De acordo com a especialista, o estrogênio atua na proteção do sistema cardiovascular ao melhorar a função endotelial, aumentar o HDL (colesterol “bom”), reduzir o LDL (colesterol “ruim”), diminuir a inflamação vascular e favorecer a vasodilatação. “Com a queda hormonal ocorre aumento da rigidez arterial, aumento da disfunção endotelial, aumento da formação de placa aterosclerótica e aumento da gordura visceral”, explica. Como consequência, o risco cardiovascular feminino passa a se aproximar e, posteriormente, ultrapassar o dos homens.
Outro ponto de alerta é a subestimação do infarto na mulher, que ainda enfrenta atraso no diagnóstico. Isso acontece porque os sintomas costumam ser diferentes dos clássicos. “A dor torácica pode estar presente, mas nem sempre é o sintoma principal. Fadiga intensa e súbita, falta de ar, náuseas, dor nas costas ou mandíbula, desconforto epigástrico e ansiedade inexplicável são manifestações frequentes”, destaca a cardiologista. Além disso, mulheres tendem a demorar mais para procurar atendimento e, em alguns casos, seus sintomas são subvalorizados, o que contribui para maior mortalidade hospitalar feminina.
Após a menopausa, há também uma piora metabólica significativa, com aumento do LDL, redução do HDL, elevação da pressão arterial, resistência insulínica, maior incidência de diabetes e acúmulo de gordura abdominal. A especialista ressalta ainda que mulheres com histórico de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou hipertensão gestacional apresentam risco cardiovascular ainda mais elevado ao longo da vida.
Diante desse cenário, a prevenção se torna fundamental. Entre os principais cuidados estão a prática regular de exercício aeróbico e treino de força, controle do peso e da circunferência abdominal, alimentação rica em fibras, vegetais e proteínas magras, sono adequado e manejo do estresse. Exames como perfil lipídico completo, glicemia, HbA1c, aferição regular da pressão arterial e avaliação global do risco cardiovascular também são essenciais, podendo incluir, em casos selecionados, o escore de cálcio coronariano.
Fernanda Douradinho reforça que a avaliação deve ser individualizada e que a terapia hormonal não deve ser iniciada com objetivo cardiovascular isolado, sendo indicada apenas para mulheres sintomáticas após análise criteriosa do risco individual. “Após a menopausa, o coração da mulher deixa de ter proteção hormonal, mas ganha a oportunidade da prevenção”, conclui.
Sobre Fernanda Douradinho
Fernanda Douradinho da Rocha Silva é médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Centro Universitário Lusíadas). Realizou residência em Clínica Médica (2008–2010) e Cardiologia (2010–2012) no Hospital Ana Costa, em Santos.
Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atualmente, atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, e também coordenadora da UTI cardiológica do Hospital Guilherme Álvaro, professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém seu consultório de cardiologia na Av. Ana Costa, em Santos.
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