No Dia Internacional da Felicidade, especialistas refletem sobre o que significa ser feliz no cotidiano

Profissionais de diferentes áreas compartilham visões sobre bem-estar, convivência e os pequenos momentos que ajudam a construir uma vida mais equilibrada


Celebrado em 20 de março, o Dia Internacional da Felicidade tem se tornado um convite para refletir sobre o bem-estar e a forma como as pessoas buscam uma vida mais equilibrada. Instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2012, a data estimula reflexões globais sobre qualidade de vida, saúde mental e a importância de valorizar  pausas, relações e momentos de convivência no dia a dia. 

 

Em meio ao ritmo acelerado das grandes cidades, cresce a percepção de que a felicidade nem sempre está associada a grandes conquistas, mas a pequenas experiências capazes de trazer conforto, conexão e prazer ao longo do dia. Estudos do Harvard Health Publishing indicam que experiências simples e prazerosas no cotidiano podem ajudar a reduzir o estresse e melhorar o humor, contribuindo para uma sensação maior de equilíbrio emocional.


Essa percepção aparece em reflexões sobre comportamento e qualidade de vida. Para a especialista Chirles Oliveira, por exemplo, CEO da Virada da Felicidade, evento que acontece em São Paulo nos dias 19, 20 e 26 de março, a felicidade sustentável nasce justamente da capacidade de valorizar experiências simples do cotidiano. “Tenho aprendido a valorizar cada vez mais a simplicidade das pequenas coisas, como o silêncio, pequenas pausas durante o dia, passear com meu pet ou apreciar as flores da vizinhança”, afirma. Segundo ela, cultivar habilidades emocionais como gratidão, atenção plena e generosidade pode ajudar a construir uma relação mais saudável com a vida. “Quando aprendemos a apreciar a vida e sua beleza, encontramos uma felicidade mais estável, que não depende tanto das circunstâncias externas”, conta.

 


 

Para a empresária Isa Santini, fundadora do Ateliê Beauty - eleito pelo segundo ano consecutivo o Melhor Spa Boutique de Luxo do Mundo pelo World Luxury Spa Awards -, essa mudança já é perceptível no comportamento das pessoas. “O Dia Internacional da Felicidade nos lembra que a felicidade deixou de ser associada apenas a grandes conquistas e passou a estar diretamente ligada à qualidade das experiências que vivemos no dia a dia”, afirma. Segundo ela, pequenas pausas de autocuidado têm impacto direto no bem-estar físico e emocional. “Muitas vezes, não é apenas sobre um tratamento estético, mas sobre a experiência completa. Quando alguém desacelera, escolhe a música que quer ouvir, sente um aroma que traz conforto ou, simplesmente, tem um momento de pausa, o corpo responde. Esses pequenos detalhes sensoriais ajudam a criar um estado de bem-estar imediato”, finaliza. 

 


Essa visão também aparece no universo da confeitaria e das experiências gastronômicas afetivas. Para a Ana Pikuconfeiteira e sócia-fundadora da PikurruchA’S, a felicidade muitas vezes se revela em gestos simples do cotidiano. “Às  vezes, imaginamos que a felicidade está em grandes conquistas, mas ela aparece em momentos simples, em uma pausa para um café, um doce dividido com alguém que a gente gosta ou uma conversa leve depois de um dia corrido”, afirma. Segundo ela, esses pequenos rituais ajudam a criar memórias afetivas e a reconectar as pessoas com o presente. “Um doce, um encontro ou um café da tarde podem se transformar em pequenas pausas felizes no meio da correria da vida”, diz. 

 

 

Essa relação entre realização pessoal e impacto também aparece no empreendedorismo feminino. Para Tatyane Luncah, CEO e fundadora da Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino (EBEM), a felicidade ganha novos contornos ao longo da jornada de empreender. “Muitas mulheres começam por necessidade, buscando renda e independência, mas com o tempo percebem que vai além. Quando entendem que estão transformando a própria realidade, gerando empregos, ajudando clientes e inspirando outras mulheres, o trabalho passa a ter um significado muito maior. Eu costumo dizer que lucro e felicidade caminham juntos. Com organização, capacitação e clareza de caminho, é possível construir um negócio saudável e, ao mesmo tempo, ter mais tempo e recursos para fazer o bem”, afirma. Esse olhar também se reflete em iniciativas que valorizam trajetórias reais de transformação. Recentemente, a EBEM reuniu mais de 100 mulheres empreendedoras em uma premiação que celebrou histórias de impacto, autonomia e construção de novos caminhos, realizada pela Câmara Municipal de São Paulo.

 

Para Pedrinho Casarin, idealizador da Pizza do Quintal, a gastronomia também tem o papel de transformar momentos simples em experiências significativas. “A comida tem um papel importante nas conexões. Às vezes é uma conversa no balcão ou uma pizza dividida entre amigos. Quando alguém sai mais leve do que chegou, sentimos que cumprimos nosso papel”, afirma.

 

 

No Bar Charles Edward, essa proposta faz parte da essência do negócio, segundo o sócio Kyko. “Nossa missão é vender alegria. Um bar é, antes de tudo, um lugar de encontro, celebração e boas memórias. Quando as pessoas cantam juntas em um show, brindam com amigos ou simplesmente aproveitam um momento leve, estamos criando pequenas experiências de felicidade”, comenta.

 


Além do autocuidado e das relações pessoais, momentos de convivência também têm papel importante na construção de bem-estar. Para Humberto Munhoz, sócio-fundador do Grupo 3T Brasil, bares e restaurantes funcionam como espaços de pausa dentro da rotina urbana. “Os bares têm um papel importante em criar momentos de descontração no dia a dia das pessoas. Muitas vezes, a felicidade aparece justamente nesses intervalos em que amigos se reúnem, conversam e riem juntos”, conta.

 

 

Compartilhar uma refeição também pode se transformar em um desses momentos de pausa e conexão. Para Bruno Kobayashi, sócio do Zé do Hamburger e do Orange Sushi, um dos elementos mais associados à felicidade está justamente no ato de dividir a mesa. “Estar com as pessoas que amamos, dividindo uma refeição, comendo um bom burger ou sushi, em um lugar alegre e vibrante ou no conforto de casa, por meio do delivery, também faz parte desses momentos de felicidade”, afirma. 

 

 

A mesma reflexão aparece na visão do empresário Anderson Cavalcante, CEO da Buzz Editora, que destaca a importância de valorizar gestos cotidianos. “A felicidade muitas vezes não é onde as pessoas costumam procurá-la. Muitas das coisas que realmente trazem felicidade não custam dinheiro, como um beijo do filho, um cafuné da mãe ou um ‘eu te amo’ de quem a gente ama”, afirma.

 

Entre pausas de autocuidado, encontros à mesa e momentos de convivência, especialistas apontam que a felicidade pode estar justamente na soma dessas pequenas experiências diárias. Mais do que um destino final, ela passa a ser construída em pequenos momentos de bem-estar que ajudam a equilibrar a rotina e tornar o dia a dia mais leve.


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