O estúdio onde nasceu parte do legado d’O Rappa abre portas para novas criações
Estúdio Jimo, idealizado por Marcelo Lobato consolida-se como território criativo no Rio de Janeiro
Marcos Lobato, DJ Negralha, Marcelo Lobato no Estúdio Jimo
Créditos: Felipe Alberto (@felipe.alberto.s)
Em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, um estúdio guarda parte da memória sonora da música brasileira contemporânea. Foi ali que O Rappa gravou grande parte do álbum Nunca Tem Fim e onde nasceu o harmônio que marcou “Minha Alma”, faixa emblemática do disco Lado B, Lado A. Agora, o Estúdio Jimo, idealizado por Marcelo Lobato, entra oficialmente em uma nova fase, abrindo suas portas para colaborações e produções externas.
Mais do que um espaço técnico, o Jimo sempre funcionou como território criativo. “O Jimo significa empenho, criatividade, originalidade. A criação tem um tempo natural de maturação e deve ser respeitado”, afirma Lobato. Essa filosofia moldou o ambiente que, ao longo dos anos, recebeu artistas como Alceu Valença, Zeca Baleiro, Marcelo D2, Will Calhoun (Living Colour), além de projetos autorais como Afrika Gumbe.
Ao contrário da formalidade rígida de muitos estúdios profissionais, o Jimo construiu sua identidade em torno do acolhimento. “É um ambiente de descontração, de leveza, sem a falsa austeridade que muitos espaços ostentam. É profissional, mas com um quê de casa”, explica Marcelo.
Marcelo Lobato no Estúdio Jimo
Créditos: Felipe Alberto (@felipe.alberto.s)
A estrutura técnica dialoga com essa proposta estética. O estúdio reúne equipamentos analógicos e vintage como mesa API 1608, prés Neve, Shadow Hills e Universal Audio, microfones clássicos como o Neumann U-67, além de instrumentos como piano acústico Kawai, Fender Rhodes, Wurlitzer e órgão Hammond com caixa Leslie. Esses elementos compõem uma identidade sonora que privilegia timbre, textura e organicidade.
O Jimo não nasce como um empreendimento convencional, mas como extensão de uma trajetória artística. Foi ali que parte do repertório e da sonoridade d’O Rappa ganhou forma. Foi ali também que Marcelo Lobato desenvolveu seus projetos autorais e produziu artistas que buscaram um espaço onde processo e tempo são respeitados.
“Não fazemos distinção quanto às diferentes propostas. Sabemos que cada caso é um caso. O mote é receber bem a todos, com liberdade para criar da forma que quiserem”, resume Lobato.
Estúdio Jimo - Créditos: Felipe Alberto (@felipe.alberto.s)
Com novo site e identidade visual assinados pelo diretor criativo Alvares, do Alvares Branding Studio, e com abertura oficial para novas gravações a partir de fevereiro, o Estúdio Jimo reafirma seu papel como espaço de criação que atravessa gerações. Um lugar onde memória e experimentação coexistem, e onde o passado dialoga diretamente com o que ainda está por vir.
Sobre Estúdio Jimo
O Estúdio Jimo, idealizado por Marcelo Lobato, nasceu como espaço de criação e produção musical ligado à trajetória do músico após décadas de atuação na cena brasileira. Ao longo dos anos, recebeu gravações e sessões de artistas como O Rappa, Marcelo D2, Zeca Baleiro e Alceu Valença. O estúdio reúne equipamentos analógicos e instrumentos clássicos, como mesa API, prés Neve e Hammond com Leslie, privilegiando timbre e organicidade sonora. Com atmosfera acolhedora e criativa, o Jimo se consolidou como um território de experimentação musical e encontro entre artistas de diferentes gerações.
Sobre Marcelo Lobato
Marcelo Lobato é músico, compositor e produtor, conhecido por sua trajetória marcante como tecladista, baterista e vocalista d'O Rappa. Atualmente, Marcelo é fundador da banda Afrika Gumbe e se dedica ao seu projeto solo, explorando novas possibilidades sonoras e transitando entre diferentes influências com uma abordagem experimental. Seu último EP, Carregador de Piano, mostrou um olhar autoral e intimista, evidenciando sua versatilidade. Agora, com o lançamento de O Corte, Marcelo reafirma sua identidade musical e sua capacidade de transformar reflexões profundas em experiências sonoras envolventes.


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