Transição energética avança sob pressão regulatória, risco climático e desafios de custos no setor elétrico

Debates no Workshop PSR/Canal Energia apontam complexidades na implementação da agenda de descarbonização e aumento da complexidade do sistema

Rio de Janeiro, 18 de março de 2026 – A transição energética global avança em meio a uma combinação de forças que redesenham o setor elétrico, incluindo descarbonização, transformação digital, tensões geopolíticas e desafios crescentes de segurança energética. O cenário foi discutido por especialistas da PSR na abertura da 16ª edição do Workshop PSR/Canal Energia, conduzido por Luiz Barroso, CEO da empresa.

Segundo ele, o setor vive um momento em que diferentes agendas avançam simultaneamente e aumentam o nível de complexidade das decisões. “Estamos lidando com múltiplas transformações ao mesmo tempo, o que traz novos dilemas para o planejamento e a operação do sistema elétrico”, afirmou.

Ao longo dos debates, especialistas reforçaram que esse cenário combina expansão de tecnologias, aumento de riscos climáticos e desafios regulatórios ainda em construção.

Descarbonização ainda em transição 

O avanço de novas agendas, como hidrogênio e mercado de carbono, ainda ocorre de forma gradual e cercado de incertezas. A head em Descarbonização na PSR, Luana Gaspar, destacou que projetos de hidrogênio têm enfrentado dificuldades de implementação e cancelamentos em mercados como Estados Unidos e Europa, refletindo desafios de custo, escala e estrutura regulatória.

Segundo ela, o mercado de carbono no Brasil também se encontra em fase inicial. Com a aprovação da lei, o país entra agora em um período de regulamentação e definição de governança. “Os mercados voluntários ainda têm baixa capacidade de orientar decisões. O mercado regulado deve trazer mais previsibilidade, mas isso leva tempo”, afirmou.

Eventos extremos e novas tecnologias 

Os impactos das mudanças climáticas foram apontados como um dos principais vetores de transformação do setor. O head em Ferramentas Analíticas na PSR, Julio Alberto Dias, afirmou que o planejamento energético precisa considerar não apenas uma mudança estrutural nas médias históricas, mas a intensificação de eventos extremos.

Segundo ele, por mais que as diferentes projeções climáticas possam discordar quanto à variação média, ou seja se a variação média pode aumentar ou diminuir algum efeito, todos eles concordam que os extremos se amplificam. “Os extremos vão piorar. E são eles que pressionam o sistema”, disse.

Nesse contexto, a adaptação do sistema passa pela combinação de diferentes tecnologias. Para Edmundo Grune, diretor técnico na PSR, não há solução única para os desafios atuais. “Não existe bala de prata. O que vemos é um mix de fontes e tecnologias, cada uma contribuindo com o que tem de melhor”, afirmou.

Regulação e custos pressionam o setor

A crescente complexidade do setor também amplia os desafios regulatórios. Gisella Siciliano, team leader em Regulação e Litígio na PSR, destacou que eventos climáticos já expõem lacunas regulatórias e evidenciam necessidade de melhor distribuição de responsabilidade entre agentes, além do avanço da litigância climática.

Paula Valenzuela, diretora técnica na PSR, afirmou que o setor enfrenta o desafio de estruturar regras que acompanhem um sistema em constante transformação. “A única certeza é que o sistema vai mudar ao longo dos próximos 30 anos. A regulação precisa acompanhar isso”, disse.

Ela também chamou atenção para a indefinição sobre a regulamentação da compensação pelo curtailment, os cortes de geração renovável. “A Lei dá as diretrizes de quais os cortes que serão repassados ao consumidor e quais serão absorvidos pelos geradores. A discussão principal está, justamente, em como detalhar essas diretrizes, pois isso é o que vai efetivamente determinar o tamanho da conta de cada um dos lados”, afirmou. 

Sobre o evento

A 16ª edição do Workshop PSR/Canal Energia reúne especialistas, executivos e autoridades para debater os movimentos que vêm redesenhando o setor elétrico no Brasil e no mundo. A programação aborda temas centrais como transição energética, segurança do suprimento, descarbonização, planejamento, operação e os impactos das mudanças geopolíticas e tecnológicas sobre o futuro da energia.

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