Maurício Tizumba encerra a programação da tradicional Festa da Abolição, na cidade de Oliveira, com o show “Caixeiros do Rosário”

Apresentação é gratuita e acontece no dia 17 de maio, às 17h, na Praça XV de Novembro, no coração de Oliveira ; novo projeto de Maurício Tizumba evidencia a importância dos homens pretos tocadores de caixa do Congado

Foto: Luiza Villaroel


Realizada anualmente na Praça XV de Novembro, no coração de Oliveira, a Festa da Abolição, relembra o 13 de maio de 1888, data em que foi assinada a Lei Áurea, que declarou oficialmente o fim da escravidão no Brasil. Misturando fé, tradição e memória, o evento convida à reflexão sobre as lutas por igualdade, justiça e valorização da cultura negra no país. A celebração começa com o levantamento da bandeira do Treze de Maio e se desdobra em apresentações que evidenciam a potência da produção artística afro-brasileira. 


É o caso do show “Maurício Tizumba e Os Caixeiros do Rosário”, que busca dar protagonismo aos homens pretos tocadores de caixa do Congado. Fechando a programação da Festa da Abolição neste ano, o espetáculo será realizado no dia 17 de maio, domingo, às 17h, na Praça XV de Novembro. Na mesma data, às 9h, na Casa de Cultura, Tizumba promove também uma oficina, com roda de conversa. Ambas as atividades são gratuitas.


O projeto “Rotas do Rosário”, que viabiliza a apresentação, é patrocinado pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), via Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.


“Caixeiros do Rosário”


Conduzido pelo cantor, compositor, multi-instrumentista e capitão de Congado, Mauricio Tizumba, o projeto reúne tocadores de caixa congadeira de diversas guardas de Minas Gerais, em uma experiência artística diferente dos festejos de rua. Unindo apresentações e oficinas, o projeto circulará, ao todo, por seis diferentes cidades de Minas Gerais. 


“Maurício Tizumba e Os Caixeiros do Rosário” surgiu com o intuito de valorizar e difundir a cultura banto-mineira tanto em sua manifestação tradicional quanto nas influências que exerce na música e nas artes de uma forma geral. “Esse projeto nasceu com o objetivo de fortalecer essa música, esse universo, essa percussão. São homens pretos tocando os tambores congadeiros. Escolhi de dois a três caixeiros de cada irmandade convidada”, afirma Tizumba.


“Os caixeiros do Rosário são homens pretos, trabalhadores comuns, que assumem uma grande importância de levar a música para o Reinado. Eles tocam tambores que são muito importantes para as irmandades dentro daquele ritual, daquele processo”, explica o artista. “No espetáculo, a gente traz esses pretos para outro lugar, fora do Reinado. Um lugar que é de arte, mas que também é de oração. Que não é a linha reta da rua, mas a meia-lua do palco”.


Tizumba revela que, além do repertório clássico do Reinado, o espetáculo inclui músicas autorais dele, como “Sá Rainha”, e de Sérgio Pererê, como “Marujo”, além de surpresas. “É um show em que cabe ‘Caxangá’ ou o ‘Cio da Terra’, de Milton Nascimento, por exemplo. Os tambores possibilidades. Quando tocados na rua, são divididos em naipes, é complexo. No palco, é sempre um desafio muito gostoso para mim e para os caixeiros”. 


História 


O Reinado, popularmente conhecido como Congado, se constitui a partir do mito da retirada de Nossa Senhora do Rosário do mar pelos negros escravizados e é a mais tradicional manifestação da cultura banto que floresceu em Minas Gerais. Em um estado fundado em princípios escravocratas e patriarcais como foi o mineiro, não é de se surpreender que essa cultura negra que aqui floresceu – e foi um dos principais baluartes de construção de nossa identidade cultural – ainda seja obscurecida pelo manto da invisibilidade, do não-reconhecimento e do preconceito. 


Para Tizumba, projetos como “Caixeiros do Rosário” são importantes também para evitar o embranquecimento da história e combater o preconceito. “Tudo que é ‘de preto’ e dá muito certo acaba deixando de ser ‘de preto’. Por isso, o projeto protagoniza o preto, porque essa é uma manifestação preta que parte das terras mineiras”, crava Tizumba. “Quem for ao espetáculo pode esperar muita alegria, muita positividade. Uma festa de preto que é diferente de pagode, de samba, de axé music. Uma manifestação afro-brasileira muito potente.


Maurício Tizumba 


Ator, compositor, cantor, multi-instrumentista e capitão de Congado, Mauricio Tizumba estabeleceu em sua trajetória artística – que começou quando ainda era criança, na extinta TV Itacolomi – diálogo entre diversas linguagens e entre a arte e as manifestações populares tradicionais da cultura afro-brasileira e afro-mineira.


Graduado em Turismo pela Universidade Estácio de Sá e Doutor em Belas Artes por Notório Saber pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, Mauricio Tizumba apresenta em sua performance a fé do Reinado negro de Minas, que toca, canta e dança, reverberando memórias, saberes, técnicas e tradições que são ancestrais e contemporâneas ao mesmo tempo.


Ainda como parte das comemorações de seus 50 anos de carreira, Mauricio Tizumba agora se dirige mais diretamente ao público congadeiro das cidades de Divinópolis, Oliveira e Uberlândia onde apresentará um show/performance e conduzirá uma roda de conversa formativa sobre temas ligados ao universo do Reinado.


Cemig: a energia da cultura


Como a maior incentivadora da cultura em Minas Gerais, a Cemig segue investindo e apoiando as diferentes produções artísticas existentes nas várias regiões do estado. Afinal, fortalecer e impulsionar o setor cultural mineiro é um compromisso da Companhia, refletindo seu propósito de transformar vidas com energia.  


Ao abraçar a cultura em toda a sua diversidade, a Cemig potencializa, ao mesmo tempo que preserva, a memória e a identidade do povo mineiro. Assim, os projetos incentivados pela empresa trazem na essência a importância da tradição e do resgate da história, sem, contudo, deixar de lado a presença da inovação.  


Apoiar iniciativas como essa reforça a atuação da Cemig em ampliar, no estado, o acesso às práticas culturais e em buscar uma maior democratização dos seus incentivos.


SERVIÇO | “Maurício Tizumba e Os Caixeiros do Rosário”

"Festa da Abolição" - Oliveira (MG)

Quando. 17/5 (domingo), às 17h (apresentação) e às 9h (oficina/roda de conversa)

Onde. Praça XV de Novembro - Centro (apresentação); Casa de Cultura – Praça XV de Novembro, 103 - Centro (oficina/roda de conversa)


Maurício Tizumba nas redes

 
 
 

Comentários