Núbia dá início a turnê nacional e fala sobre ser mulher no reggae brasileiro
Cantora maranhense abriu a circulação do álbum Sabores na Casa Natura Musical, em São Paulo, em show com participação de Célia Sampaio, pioneira do gênero no Brasil | |
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São Paulo, março de 2026 – Reconhecida como uma das promessas do reggae brasileiro, Núbia deu início à turnê nacional do seu álbum “Sabores”, no último dia 5 de março, na Casa Natura Musical, em São Paulo. O show de abertura contou com a participação especial de Célia Sampaio, conhecida como “A Dama do Reggae” e uma das referências femininas históricas no gênero. A circulação “Sabores”, que leva o mesmo nome do disco, foi selecionada pelo Edital Natura Musical de 2025/2026, ao lado de nomes como Teresa Cristina, Luedji Luna, Alaíde Costa, entre outros. Com o projeto, Núbia leva aos palcos um espetáculo inspirado no álbum visual, que mergulha na sonoridade do reggae maranhense e traz faixas que navegam desde o roots ao dub, além de parcerias com outras artistas femininas, como Pantera Black e a própria Célia Sampaio. Ao longo de 20 anos, Natura Musical já ofereceu recursos para mais de 600 projetos, entre nomes consagrados como Emicida, Russo Passapusso e Antônio Carlos e Jocafi, Dona Onete e João Donato; artistas em ascensão como Linn da Quebrada, Rico Dalasam; e projetos de registro e fomento de cenas, como Os Tincoãs e Mostra Pankararu de Música. “Foi uma surpresa boa. Uma sensação de orgulho também, porque a gente sabe que é um edital que tem uma importância no cenário nacional, no cenário da música brasileira, que está diretamente ligado na renovação dessa cena. Muita alegria por ter essa conquista, né?” diz a artista sobre ser reconhecida pelo edital. Ela destaca que este feito impacta não somente a ela, mas também ao profissionalismo de quem está nos bastidores. “Além de apoiar novos álbuns, a Natura prioriza o fortalecimento dos encontros presenciais e da experiência de palco, guiada por uma seleção inovadora. Projetos com esse propósito são pilares para que os artistas circulem, o público se renove e as cenas locais ganhem ainda mais fôlego”, conclui Julia Ceschin, Head da Marca Natura e Marketing Estratégico Brasil. A turnê procura difundir a cultura do Maranhão pelo país e conectar as diferentes cenas do reggae brasileiro. Segundo a cantora, a circulação representa mais um passo nessa jornada de expansão e consolidação de sua presença nos palcos brasileiros. Ascensão na cena Somando 10 anos de trajetória, Núbia é uma das vozes proeminentes do cenário atual do reggae brasileiro. Diretamente de São Luís, conhecida também como ‘Jamaica Brasileira’, a cantora ganhou destaque em festivais de música independente, como o Festival BR-135 e o Festival Psica. Ela também já chegou a se apresentar no Festival Afropunk em 2025. A artista maranhense começou a ter aulas de violão aos 15 anos com um dos co-fundadores da banda Guetos, um dos grupos precursores do gênero no Maranhão, mas sua influência musical começou lá atrás. Ela cresceu ouvindo sua mãe e sua irmã cantando de forma despretensiosa pela casa em que moravam. “Até outro dia eu tava percebendo sobre isso, né? O quanto é importante a gente validar algumas presenças na nossa vida e muitas das vezes algo que vem dentro de casa.” Ela conta que a mãe gostava de cantar em momentos descontraídos e até dava uma palinha quando recebia a visita de seu amigo que tocava violão. “Minha mãe tinha um amigo que levava violão, ela ficava na porta cantando. Então, eu acho que já vem dali.” No reggae, suas primeiras referências foram bandas e artistas masculinos como The Congos e o Gregory Isaacs, que possui uma forte conexão com a capital maranhense. “Durante esse momento de introdução, até por conta da gente saber que é um gênero muito ocupado por homens, a minha referência, inicialmente, de canto assim, de textura, de voz, essas coisas, foram bandas masculinas, né?”. Mas, a identificação surgiu ao se aprofundar no ritmo e se reconhecer nas figuras femininas. “Eu vou conhecendo outros ritmos da música jamaicana, outros gêneros, subgêneros do reggae e vou conhecendo também outros artistas, principalmente outras artistas mulheres, com as quais eu vou me conectando, tudo isso faz parte da minha trajetória”. Atualmente, Núbia é reconhecida como uma das promessas do ritmo. Com o lançamento de “Sabores”, a artista conquistou mais de um milhão de execuções nas plataformas digitais, presença em playlists editoriais, indicações ao Prêmio BTG Pactual e uma vitória no 1° Prêmio Tenho Mais Discos que Amigos. Barreiras no reggae O reggae começou a dar as caras no Brasil em meados da década de 70 e sua disseminação no país contou com grande influência de artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Desde seu surgimento, o gênero foi dominado por artistas homens e bandas majoritariamente masculinas. “É um ambiente muito fechado mesmo” relata Núbia. A artista compartilhou sobre os desafios que enfrenta sendo uma mulher no reggae. “A gente ainda enfrenta muitas dificuldades, são muitos enfrentamentos, são desafios estruturais mesmo, dificuldades do patriarcado, né?”, completa. Ainda assim, a compositora destaca que há uma presença feminina maior hoje em dia. “A partir da nossa música, da nossa poesia, a gente tem ultrapassado algumas realidades e tem conquistado cada vez mais esse lugar da mulher do reggae, em todo o processo produtivo e criativo que o reggae traz”, complementa. A cantora também traz a importância de abordar a interseccionalidade na discussão sobre o cenário atual do reggae a partir da sua vivência como mulher negra e lésbica. “Eu sou uma mulher, aí já vem a questão do gênero, e aí vem a questão da minha sexualidade, também, né? Eu sou lésbica e sobretudo uma mulher negra. Então a gente precisa trazer essa interseccionalidade para a roda para entender o quanto essas opressões estruturais interferem diretamente”. Troca ancestral Ao lado de Célia Sampaio, Núbia faz esse encontro de gerações do reggae maranhense. Conhecida por ser a primeira mulher a fazer um álbum de reggae no Brasil, a ‘Dama do Reggae’ iniciou sua carreira na década de 80, tornando-se uma das principais referências femininas no gênero. Célia conta que fica feliz de ver mais mulheres ascendendo no ritmo. “Quando a gente tem um artista jovem despontando, com qualidade, com verdade no que faz, fico muito feliz de ver a continuidade de um processo que eu venho fazendo lá atrás”, diz. A pioneira também reforça a importância dessa troca entre mulheres no reggae. “Isso engrandece, me estimula a lutar, produzir, para mostrar para as meninas que a gente também está fazendo sempre e que tem que ficar fazendo sim, né?”, completa. | |
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Planos futuros Para o futuro, Núbia está focada em rodar o Brasil com sua nova turnê e levar o reggae maranhense para novos cantos do país. “Estou focada em fazer essa circulação, fazer o público conhecer mais da nossa sonoridade, conhecer um pouco mais da nossa cultura, um pouco mais da nossa poesia”. A artista também revela planos de lançar um álbum novo em 2027. | |
Sobre a Natura Fundada em 1969, a Natura é uma multinacional brasileira líder em beleza e cuidados pessoais na América Latina. Por 11 anos consecutivos é a companhia de melhor reputação do Brasil e mais responsável em ESG pelo ranking Merco. Há mais de 25 anos, por meio do relacionamento com comunidades extrativistas na Amazônia, a Natura foi pioneira no uso cosmético de bioativos da sociobiodiversidade brasileira. Hoje, essa atuação gera benefícios para milhares de famílias e contribui para conservar 2,2 milhões de hectares de floresta. A Natura foi a primeira companhia de capital aberto a receber, em 2014, a certificação de Empresa B pelo B Lab, organização que reconhece globalmente negócios que combinam a geração de lucro ao impacto socioambiental positivo. Com operações em 14 países na América Latina, os produtos da marca podem ser adquiridos através das mais de 3 milhões de consultoras na região, via e-commerce, aplicativo Natura, ou nas mais de mil lojas. Para mais informações, visite www.natura.com.br ou acesse os perfis da empresa nas redes sociais: LinkedIn, Facebook e Instagram. |




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