Orfeu no Inferno abre a temporada de ópera no Theatro São Pedro
Obra de Jacques Offenbach, que traz uma inversão cômica do mito de Orfeu e Eurídice, terá récitas nos dias 17, 19, 22, 24 e 26 de abril
Theatro São Pedro. Crédito: Íris Zanetti
Um dos mais conhecidos mitos da Grécia Antiga será apresentado no Theatro São Pedro, equipamento cultural da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Santa Marcelina Cultura, na estreia da temporada lírica de 2026: Orfeu no Inferno, de Jacques Offenbach (1819-1880), terá récitas em 17, 19, 22, 24 e 26 de abril, sob direção cênica de Cibele Forjaz e direção musical de André Dos Santos, à frente da Orquestra do Theatro São Pedro.
Diferentemente da versão consagrada - e trágica - da lenda, em que Orfeu, um renomado músico que fica inconsolável quando sua esposa, Eurídice, morre picada por uma cobra e tenta resgatá-la no reino de Hades, Offenbach propõe em sua obra uma releitura que ajudou a consolidar um gênero, a opereta. Semelhante à uma ópera ligeira, a opereta é uma produção músico-dramática caracterizada por mesclar elementos românticos e cômicos, com uma estrutura que intercala canções, música orquestral, cenas de dança elaboradas e diálogos falados. Na França do século XIX, tais produções eram altamente satíricas e tinham no compositor alemão seu principal autor.
Com libreto de Hector Crémieux e a colaboração de Ludovic Halévy, Orfeu no Inferno foi o primeiro grande sucesso de Offenbach e o que garantiu a sobrevivência do Théâtre des Bouffes-Parisiens, fundado por ele em Paris em 1855. No espaço, o compositor apresentou uma série das suas próprias pequenas peças, muitas das quais se tornariam extremamente populares.
Em 1858, após a flexibilização de restrições da prefeitura de Paris sobre números de elenco para produções como as de Offenbach, que podiam ter no máximo três cantores, por exemplo, em face da rápida popularização da opereta que ameaçava a venda de ingressos dos teatros convencionais, o compositor ficou livre para levar adiante uma obra que estava em sua mente há algum tempo: uma sátira ferina de uma ópera ainda popular em sua época, Orfeu e Eurídice, de Gluck. A escolha não foi à toa: enquanto Offenbach elaborava Orfeu no Inferno, a ópera de Gluck estava sendo preparada para ser posta em cena no Théâtre Lyrique, um dos mais importantes de Paris, por Héctor Berlioz, crítico ferrenho das obras do colega de origem alemã.
Nesta versão, Orfeu não é o filho de Apolo, mas um rústico professor de violino. Assim como na história original, Eurídice é fatalmente mordida por uma serpente, mas, ao invés de morrer tragicamente, ela se muda para o submundo para ficar com Plutão. Orfeu, que fica feliz por se livrar da esposa, tem de ser intimado pela Opinião Pública para tentar resgatar Eurídice – e ambos ficam satisfeitos quando o resgate é malsucedido. Talvez Jacques Offenbach não tivesse outro intuito além de uma inversão cômica, porém, diferente do mito original e das óperas anteriores, em que Orfeu é o foco do enredo, em Orfeu no Inferno Eurídice também conduz a ação. Ao invés de passiva e frágil, ela é uma heroína que deseja liberdade e fantasia.
Musicalmente, além de citar de forma satírica a ópera de Gluck, Orfeu no Inferno combina minuetos cortesãos com ritmos, danças e canções populares. A música, no entanto, não se esgota na sátira, mas é também sedutora e cheia de poesia. Ao final, Offenbach inseriu uma dança que desde pelo menos 1840 fazia grande sucesso na França: o cancã. Seu “Galop infernal” é dançado durante uma celebração no submundo.
Para o maestro André Dos Santos, diretor musical da montagem no Theatro São Pedro, que regerá uma obra de Offenbach pela 12ª vez, trabalhar os títulos do compositor alemão é sempre um deleite. “É onde encontro uma leveza de expressão, uma inteligência no humor e na sátira, aliados a uma precisão rítmica, orquestração refinada e melodias que seduzem imediatamente o público”, diz.
Segundo ele, o grande desafio de uma produção de Offenbach é justamente quebrar a barreira entre o cantor e o ator, em que o texto comande e ao mesmo tempo que esses atores sejam excelentes cantores. “Acredito que o público que estará presente nessas 5 récitas não ficará decepcionado com a excelente equipe de artistas reunidos nesta produção, no palco e no fosso. Uma obra grandiosa que encanta, diverte, incita e cura”, afirma o regente.
Temporada Lírica do Theatro São Pedro
Orfeu no Inferno
Orquestra do Theatro São Pedro
André Dos Santos, direção musical
Cibele Forjaz, direção cênica
Simone Mina, direção de arte
Bruno Costa, regente coral
Fabio Bezuti, preparador vocal
Ligiana Costa, dramaturgismo
Roberto Alencar, coreógrafo
Ana Noronha, coreógrafa
Matheus Brant, iluminação
Westerley Dornellas, visagismo
Vic Von Poser, video-arte
Ronaldo Zero, direção de palco e assistência de direção cênica
Paulo Galvão, assistência de direção musical
Grazi Cavalcanti, figurinista associada
Vinicius Cardoso, cenógrafo associado
Juliana Russo, ilustradora e apoio de direção cênica
Elenco
Anna Beatriz Gomes, Eurídice
Denise de Freitas, Opinião Pública
Juliana Taino, Cupido
Aníbal Mancini, Plutão
Vitorio Scarpi, Orfeu
Vinícius Atique, Jupiter
Mauricio Etchebehere, John Stix
Isabella Luchi, Diana
Carlos Eduardo Santos, Mercúrio
Isaque Oliveira, Marte
Larissa Guimarães, Juno
Edileuza Ribeiro, Vênus
Mayra Terzian, Minerva
Ulisses Montoni, Morfeu e Leitor
Luisa Aguillar, Cybele
Elisa Furtado, Pomone
Alessandra Carvalho, Flore
Alessandra Wingter, Ceres
Cecília Massa, Amor
Malu Avelar, atriz
Tenca, atriz
Ana Noronha, bailarina
Roberto Alencar, bailarino
Coro
Patricia Dantas, soprano
Yohana Granata, soprano
Estefania Maite, contralto
Karen Zapalla, contralto
Laleska Terzetti, contralto
Marco Mautav, tenor
Paulo Lanine, tenor
Robson Godoy, tenor
Rodrigo Morales, tenor
Claudio Marques, baixo
Diego Maurílio, baixo
Julian Linischuk, baixo
Moisés Helbert, baixo
Renan Messina, baixo
JACQUES OFFENBACH (1819-1880)
Orfeu no Inferno – 180’
[Versão Brasileira: André Dos Santos]
[Mediante acordo com Bote & Bock Berlin e Boosey & Hawkes, editora e proprietário dos direitos autorais.]
Ensaio geral aberto e gratuito: 15 de abril, 19h, Theatro São Pedro
Récitas: 17, 19, 22, 24 e 26 de abril
Quartas e sextas-feiras às 20h; domingos às 17h, Theatro São Pedro
Classificação etária: 16 anos
Ingressos: R$ 41 (meia-entrada) a R$ 124 (inteira), aqui
THEATRO SÃO PEDRO
Com mais de 100 anos, o Theatro São Pedro, instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura, tem uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional. Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX quanto na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo. Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas. Nesses mais de 100 anos, o Theatro São Pedro passou por diversas fases e reinvenções. Já foi cinema, teatro, e, sem corpos estáveis, recebia companhias itinerantes que montavam óperas e operetas. Entre idas e vindas, o teatro foi palco de resistência política e cultural, e recebeu grandes nomes da nossa música, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Caio Pagano e Gilberto Tinetti, além de ter abrigado concertos da Osesp. Após passar por uma restauração, foi reaberto em 1998 com a montagem de La Cenerentola, de Gioacchino Rossini. Gradativamente, a ópera passou a ocupar lugar de destaque na programação do São Pedro, e em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, essa vocação foi reafirmada. Ao longo dos anos, suas temporadas líricas apostaram na diversidade, com títulos conhecidos do repertório tradicional, obras pouco executadas, além de óperas de compositores brasileiros, tornando o Theatro São Pedro uma referência na cena lírica do país.
SANTA MARCELINA CULTURA
Eleita a melhor ONG de Cultura de 2019 e de 2025, além de ter entrado na lista das 100 Melhores ONGs em 2019, 2020 e 2025, a Santa Marcelina Cultura é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização Social de Cultura pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas. Criada em 2008, é responsável pela gestão do GURI e da Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim (EMESP Tom Jobim). O objetivo da Santa Marcelina Cultura é desenvolver um ciclo completo de formação musical integrado a um projeto de inclusão sociocultural, promovendo a formação de pessoas para a vida e para a sociedade. Desde maio de 2017, a Santa Marcelina Cultura também gere o Theatro São Pedro, desenvolvendo um trabalho voltado a montagens operísticas profissionais de qualidade aliado à formação de jovens cantores, instrumentistas, libretistas e compositores para a prática e o repertório operístico, além de se debruçar sobre a difusão da música sinfônica e de câmara com apresentações regulares no Theatro. Para acompanhar a programação artístico-pedagógica do Guri, da EMESP Tom Jobim e do Theatro São Pedro, baixe o aplicativo da Santa Marcelina Cultura. A plataforma está disponível para download gratuito nos sistemas operacionais Android, na Play Store, e iOS, na Apple Store. Para baixar o app, basta acessar a loja e digitar na busca “Santa Marcelina Cultura”. Para baixar o app, basta acessar a loja e digitar na busca “Santa Marcelina Cultura”.


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