Tarita de Souza lança Canto para os Rios
Com produção e arranjos de Dante Ozzetti, novo álbum da cantora e compositora nasce de viagens à Amazônia e reflete sobre água, memória e cultura brasileira
No dia 10 de abril, a cantora e compositora Tarita de Souza lança nas plataformas digitais Canto para os Rios, um disco que nasce do desejo de agradecer às águas e refletir, por meio da música, sobre a relação entre humanidade, natureza e cultura. O trabalho reúne dez canções inspiradas em encontros com rios brasileiros, traçando um percurso que vai do Rio Pinheiros, em São Paulo, até a foz do Rio Amazonas, em Macapá.
A criação do álbum foi construída ao longo de três anos e envolveu três viagens da autora à região Norte do país. O processo incluiu pesquisa de campo, imersões nos rios, contato com manifestações culturais locais e estudos sobre o ciclo das águas. A escolha dessa região parte da percepção de que, no Sudeste, muitas vezes existe um distanciamento em relação às culturas amazônicas, onde o cotidiano urbano ainda mantém uma relação profunda com os rios, seja pelo transporte fluvial, seja pela presença constante da fauna e da flora.
A produção musical é assinada em parceria com o músico e produtor Dante Ozzetti e conta com a participação de importantes artistas: Patrícia Bastos, Nayara Guedes, Erika Ribeiro, Luca Raele, Neymar Dias, Maiara Moraes, Thais Nicodemo, Kabé Pinheiro, Rodrigo Bragança e o quarteto Calêndula (Bárbara Blasques, Veronica Rosa, Luan Augusto e Felipe Panelli). Além das gravações, o projeto também gerou um amplo material visual documentado ao longo do processo.
A experiência do disco se expande para além do áudio. O lançamento é acompanhado por um filme dirigido pelo cineasta Luan Cardoso, com imagens registradas nos estados do Pará e Amapá durante mergulhos realizados pelo artista junto às cantoras Patrícia Bastos e Oneide Bastos (AP) ao longo dos últimos anos. O filme mistura tempos e constrói uma narrativa não linear, ampliando os sentidos presentes nas canções e será lançado no final do mês de abril.
Musicalmente, o álbum tem a voz — ou melhor, múltiplas vozes — como protagonista. Em diferentes momentos, elas aparecem como canto solo, vocais coletivos ou formações corais, explorando também a voz como textura e elemento de criação harmônica.
O repertório se organiza como uma travessia. A primeira faixa,“Caminhos da Voz” funciona como uma vinheta de apresentação. Em seguida, “Q’entesito” surge como um agradecimento às águas, inspirado na imagem de um pássaro que percorre diversos lugares deixando um pouco do seu coração em cada canto. “Q’entesito”, “Iara” e
“A Terceira Margem” marca a passagem desse espaço onírico para uma margem física e real, dialogando com o conto “A terceira margem do rio”, de Guimarães Rosa. Em “Jaci”, a lua surge como mãe, origem e nascimento — um colo refletido nas águas do rio Guamá — em letra do poeta Joãozinho Gomes.
A travessia continua em “Canoa Voadeira”, composição de Ronaldo Silva e Allan Carvalho, dois dos principais músicos da cena paraense contemporânea, que cantam a vida em constante transformação, como um barco sempre em movimento. Em “Valsa de Rios”, novamente em parceria com Joãozinho Gomes, os encontros — de pessoas, lugares, palcos, afetos — se misturam como as águas que se encontram, formando aquilo que somos.
Já “Rio Pinheiros” traz a realidade urbana, abordando a morte, a finitude e o fim de um rio. Um fim que, no entanto, não é definitivo, mas que exige trabalho interior e transformação. Por fim, “Guajará” encerra o percurso como uma espécie de coda: a saudade de tudo o que foi vivido e a soma dos acontecimentos — aquilo que permanece depois do fim.
Entre paisagens sonoras, mitologia, memória e experiência direta com os rios, o disco propõe uma escuta sensível sobre o fluxo da vida e sobre nossa relação com as águas que atravessam territórios, culturas e histórias.
Sobre Tarita de Souza
Cantora, compositora, regente, educadora musical e artista visual, Tarita é também doutora em música pela Universidade de São Paulo (2024), mestre em música em educação musical pela Universidade de São Paulo (2020) e graduada em licenciatura em música também pela USP (2005). Como cantora, realiza shows em projetos solos e em diversas formações tendo gravado seis álbuns: A árvore e o vento (2014), Crisálida (2019), Os olhos escutam, a alma canta (2021), Improvisions I: Sand Castles (2022), Música para outras viagens (2023) e Canto para os rios (2026) além de diversas participações em shows e álbuns de outros artistas, como António Nobrega, Chico César, Patrícia Bastos, Ana Deriggi entre outros.
Atualmente é professora de música na graduação e pós graduação da Faculdade Rudolf Steiner (desde 2018), professora da graduação em música na Faculdade Santa Marcelina (desde 2023). No teatro e cinema, atua como preparadora vocal arranjadora e diretora musical de diversos espetáculos entre eles Lampião e Lancelote (Fernando Vilela e Zeca Baleiro), Hoje o escuro vai atrasar para que possamos conversar (grupo XIX de Teatro), Norma Bengell: O Brasil em revista (2025), Homem com H (2025). No campo das artes visuais, se especializou em fotografia e arte visual para música, produzindo diversas capas de disco e vídeos de arte.
FICHA TÉCNICA CANTO PARA OS RIOS
Produção musical: Dante Ozzetti e Tarita de Souza
Produção executiva: Tarita de
Fotografias de divulgação e
Assistente de fotografia:
Encarte: Daniel Conti
Estúdios:
Estúdio Argila por Rodrigo
Estúdio Spaceblues por
Produtora VMD por Kabé Pinheiro
Estúdio Henning por Pedro Henning
Estúdio Pratápolis por Jonas Tatit
Estúdio Trampolim por Habacuque e Gabriel Nascimbeni
Estúdio 185 por Beto Mendonça
Edições: Dante Ozetti, Tarita
Mixagem: André Magalhães
Masterização: Carlos Freitas
Filme e direção audiovisual: Luan Cardoso
Assistente de vídeo e
FICHA TÉCNICA – faixa a faixa
- Caminhos da voz (Tarita de
Souza)
arranjo: Tarita de Souza
Voz: Tarita de Souza
Piano: Tarita de Souza
- Q’entesito (Canção
tradicional peruana com adaptações de Carlos Franco)
Voz: Tarita de Souza
Voz: Carlos Franco
Piano: Thais Nicodemo
Baixo acústico: Neymar Dias
Percussão: Kabé Pinheiro
Arranjo: Tarita de Souza
- Iara (Tarita de Souza)
(instrumental)
Voz: Tarita de Souza
Piano: Thais Nicodemo piano
Flautas: Maiara Moraes
Baixo: Neymar Dias
arranjo: Tarita de Souza
- O canto do Abaporu (Tarita de
Souza)
Vozes: Quarteto Calêndula (Barbara Blasques/ Veronica
Guitarras e efeitos: Rodrigo
- Terceira Margem (Tarita de
Souza)
Voz: Tarita de Souza
Violões: Dante Ozzetti
Clarinete: Luca Raele
Baixo: Neymar Dias
Percussão: Kabé Pinheiro
arranjos: Tarita de Souza e
- Jaci (Tarita de Souza e
Joãozinho Gomes)
Voz: Tarita de Souza
Piano: Erika Ribeiro
- Canoa Voadeira (Allan
Carvalho e Ronaldo Silva)
Voz: Patricia Bastos
Voz: Nayara Guedes
Voz: Tarita de Souza
Guitarras e efeitos: Rodrigo Bragança
Arranjo: Tarita de Souza
- Valsa de rios (Tarita de
Souza e Joãozinho Gomes)
Voz: Tarita de Souza
Clarinete: Luca Raele
Piano: Thais Nicodemo
arranjo: Tarita de Souza
- Rio Pinheiros (Tarita de
Souza)
Voz: Tarita de Souza
Captação da nascente do Rio Iquiririm: André Magalhães
- Guajará (Tarita de Souza)
Vozes: Quarteto Calêndula (Bárbara
Violões: Dante Ozzetti
arranjo de violões: Dante
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