Espetáculo “Meu Nome: Mamãe” chega a Assis com reflexão sensível sobre Alzheimer e relações familiares

Peça protagonizada pelo ator Aury Porto, com patrocínio do PROAC, terá duas apresentações gratuitas no Teatro Municipal Padre Enzo Ticinelli, sexta e sábado

O avanço do envelhecimento da população brasileira vem tornando mais frequente uma realidade que atravessa milhares de famílias: as mudanças provocadas pelas doenças neurodegenerativas e os impactos emocionais, afetivos e cotidianos gerados pela perda gradual da memória. É nesse território profundamente humano que o espetáculo “Meu Nome: Mamãe” chega a Assis para duas apresentações gratuitas nesta sexta-feira e sábado (29 e 30 de maio), às 20h, no Teatro Municipal Padre Enzo Ticinelli. A circulação é viabilizada pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (PROAC).
Protagonizada pelo ator, diretor e dramaturgo Aury Porto, a montagem vem emocionando plateias ao transformar um tema delicado em uma experiência cênica acessível, inteligente e profundamente sensível. Sem recorrer a excessos dramáticos, o espetáculo constrói um olhar atento sobre as transformações provocadas pela demência no ambiente familiar, revelando tensões, redescobertas, afetos reorganizados e a tentativa constante de manter vínculos diante das mudanças trazidas pelo tempo.
Ao longo da circulação pelo interior paulista, “Meu Nome: Mamãe” já passou por cidades como Jundiaí, Ribeirão Preto, Campinas, Guarulhos, Piracicaba e Barretos, promovendo não apenas o acesso gratuito ao teatro, mas também ampliando um debate social urgente e ainda cercado por silêncios dentro de muitos lares brasileiros.
Em cena, Aury Porto conduz uma narrativa construída a partir de fragmentos de lembranças, situações cotidianas e deslocamentos emocionais que aproximam o espectador de experiências vividas por filhos, mães, pais, avós e cuidadores. O espetáculo encontra força justamente na simplicidade dos encontros humanos, permitindo que o público reconheça, no palco, ecos de histórias pessoais frequentemente difíceis de elaborar.
A relevância do tema acompanha uma realidade crescente no Brasil. Dados do Relatório Nacional sobre Demência, do Ministério da Saúde, apontam que cerca de 2,71 milhões de brasileiros vivem atualmente com algum tipo de demência, o equivalente a aproximadamente 8,5% da população idosa do país. A doença de Alzheimer, forma mais comum de demência, responde pela maior parte dos diagnósticos registrados. Especialistas alertam que, devido ao envelhecimento acelerado da população, esse número deve crescer significativamente nas próximas décadas, tornando ainda mais urgente a ampliação do acolhimento, da informação e das políticas de suporte às famílias.
Além dos esquecimentos progressivos, quadros neurodegenerativos podem provocar alterações profundas no comportamento, na linguagem, na orientação espacial e no reconhecimento de pessoas próximas. O impacto emocional também se estende aos familiares, que frequentemente assumem funções intensas de cuidado e reorganizam completamente a rotina doméstica para acompanhar o avanço da doença.
Para Aury Porto, a potência de “Meu Nome: Mamãe” está justamente na capacidade do teatro de abrir espaços de conversa sobre temas difíceis, mas profundamente compartilhados. “Muitas pessoas vêm conversar depois da sessão dizendo que reconheceram ali situações que viveram com mães, pais ou avós. O teatro acaba criando um espaço de identificação e conversa sobre algo que ainda é muito difícil de ser compartilhado”, afirma o ator.
Segundo ele, a proposta do espetáculo não está centrada apenas no sofrimento provocado pela doença. “Existe delicadeza, humor, estranhamento e também muito amor nessas relações. O espetáculo procura olhar para essas transformações sem simplificar a complexidade humana”, destaca.
Ao abordar uma experiência tão presente no cotidiano de milhares de brasileiros sem transformar o tema em um retrato excessivamente pesado, “Meu Nome: Mamãe” constrói uma experiência de proximidade e reconhecimento, permitindo que o público se conecte à narrativa por meio de memórias pessoais, afetos e situações familiares universais.
Com entrada gratuita, as sessões em Assis representam uma oportunidade de acesso a uma produção teatral de reconhecida qualidade artística e relevância social, aproximando o público de um tema cada vez mais urgente para a sociedade contemporânea.

SOBRE AURY PORTO
Ator, diretor, produtor, adaptador e professor de teatro, Aury Porto construiu uma trajetória de destaque no teatro brasileiro, além de trabalhos no audiovisual. Destacam-se os espetáculos Os Sertões, Os Bandidos, O Idiota – Uma Novela Teatral, O Duelo, Guerra em Iperoig, Necro Sapiens e Medeamaterial, consolidando-se como um dos nomes mais inventivos da cena contemporânea. No cinema e streaming, integrou produções como as séries O Escolhido e Lúcia McCartney, além dos filmes Homens com Cheiro de Flor, Ninguém Sai Vivo Daqui, Cordialmente Teus, Acqua Movie, Girassol Vermelho e, mais recentemente, protagonizou o longa Agreste, vivendo Etevaldo em uma história de amor e intolerância no sertão brasileiro, atualmente disponível na Apple TV. Aury também idealizou e apresenta, ao lado de Leonardo Ventura, o podcast Perdigoto, um amplo registro documental do teatro brasileiro com artistas e pesquisadores de diferentes regiões do país.

SERVIÇO
Espetáculo: Meu Nome: Mamãe
Local: Teatro Municipal Padre Enzo Ticinelli
Endereço: Rua Floriano Peixoto, 757 – Centro – Assis/SP
Informações: (18) 3322-2677
Datas: 29 e 30 de maio (sexta e sábado)
Horário: 20h
Dia 29: sessão com tradução em Libras
Dia 30: conversa entre equipe e público após a apresentação
Entrada gratuita
Instagram: @meunomemamae

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