“HAMLET, SONHOS QUE VIRÃO” reestreia com Ícaro Silva no papel título e prorroga temporada no Nu Cine Copan.
Após três meses de ingressos esgotados, a encenação ‘site-specific’ de Rafael Gomes para a tragédia de Shakespeare ganha um novo protagonista e prorroga seu enorme sucesso, transformando ruína arquitetônica em dramaturgia. De 13 de maio a 16 de julho.
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| crédito - Rael Barja |
Escrita entre 1599 e 1601 por William Shakespeare, Hamlet é considerada a obra mais célebre da dramaturgia ocidental. A tragédia acompanha o príncipe da Dinamarca confrontado com o assassinato do pai, a ascensão ao trono de um tio usurpador e um mundo moralmente corrompido, no qual agir parece tão impossível quanto não agir. Ao longo da peça, Shakespeare constrói um retrato radical da dúvida, da crise de sentido e do conflito entre desejo, poder e responsabilidade — temas que atravessam mais de quatro séculos de história e seguem interpelando o presente.
Após uma primeira temporada de enorme repercussão, estrelada por Gabriel Leone e vista por mais de 25 mil pessoas, o clássico estende sua temporada na cena paulistana, reestreando com novo protagonista. A adaptação inédita e contemporânea, com direção de Rafael Gomes e produção de Rafael Rosi, inicia uma nova fase, reafirmando seu lugar como um dos acontecimentos teatrais mais impactantes da cidade. E agora com Ícaro Silva no papel título:
“Talvez eu tivesse pensado duas vezes sobre o desafio tremendo que é ocupar o lugar de um ator brilhante como Gabriel Leone, em um elenco que há meses arrebata o público, se não tivesse assistido à essa montagem tão especial dirigida por Rafael Gomes. Mas como recusar esse convite, quando vi pessoalmente o poder da peça sobre o público? É teatro da melhor qualidade, o paraíso de qualquer ator. “
Parceiro de longa data do diretor em diversos outros trabalhos, incluindo quatro longas-metragens, Ícaro afirma:
“O privilégio maior é que esse me parece um momento ideal no tempo e no mundo para se aprofundar nas humanidades que Shakespeare desvela através da tragédia, especialmente em uma encenação como essa. Estou muito animado e não vejo a hora de ocupar o trono da Dinamarca.”
O espetáculo desloca o teatro para fora do teatro, ocupa o canteiro de obras do Nu Cine Copan — desativado há décadas e atualmente em reforma para ser devolvido à cidade como um cinema de última geração, previsto para 2027 — e oferece ao público uma experiência site specific única, transformando o próprio edifício, suspenso entre abandono e reconstrução, no centro da dramaturgia.
Mais do que um cenário, a ruína arquitetônica torna-se linguagem. Em vez da tradicional caixa preta, a montagem inverte a lógica do espaço: a plateia, com cerca de 360 pessoas, ocupa a área onde antes ficavam a tela e o palco do cinema, enquanto a ação se desenrola no antigo espaço da plateia, criando um palco monumental. O público assiste à tragédia de Hamlet dentro de um corpo arquitetônico marcado por camadas de memória urbana, uso e desgaste do tempo.
“Hamlet fala de um mundo que ruiu, de estruturas que já não se sustentam”, afirma Rafael Gomes. “Encenar a peça em um edifício em ruínas não é um efeito estético, é uma tomada de posição. A ruína é o próprio estado do drama.”
Um clássico em estado de crise
Na tragédia de Shakespeare, Hamlet é um jovem deslocado em um mundo que já não reconhece. Incapaz de aderir plenamente às regras da corte e igualmente incapaz de se retirar da ação, ele vive paralisado entre o desejo de justiça e a impossibilidade de agir sem se corromper. Em Hamlet, sonhos que virão, essa crise existencial encontra eco direto no espaço que abriga a encenação: um edifício em suspensão, à espera de um novo destino.
A adaptação é assinada por Rafael Gomes e Bernardo Marinho e propõe deslocamentos internos no texto, incluindo a reorganização de alguns solilóquios e centrando o foco do drama no enigma do desejo e nas personagens consumidas por impasses internos e pelo transbordamento de suas paixões. A montagem parte da tradução de Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harrington, conhecida por sua linguagem direta e contemporânea, aproximando o texto do espectador de hoje.
Ícaro Silva como Hamlet
Reconhecido como um dos nomes mais consistentes de sua geração no audiovisual e no teatro brasileiro, Ícaro Silva assume agora um dos personagens mais emblemáticos da história do teatro.
Com trajetória consolidada na televisão, no streaming, no cinema e nos palcos, Ícaro reúne forte presença cênica, reconhecimento de público e credibilidade artística. Sua presença em Hamlet não representa apenas a chegada de um nome de grande repercussão: trata-se de uma escolha artística que amplia o alcance simbólico da obra, atualiza sua leitura e fortalece seu diálogo com o Brasil de hoje.
Ao longo da carreira, Ícaro também se destacou por participar ativamente de discussões sobre representatividade e diversidade no entretenimento brasileiro, especialmente no que diz respeito ao protagonismo negro e à ampliação de espaços na indústria cultural.
Um gesto urbano e cultural
Após a temporada de Hamlet, sonhos que virão, o Nu Cine Copan entrará em obras e será devolvido à cidade em 2027 como um importante equipamento cultural, abrigando um cinema de grandes dimensões com tecnologia de última geração.
O espetáculo marca, assim, um momento histórico e limiar: a última grande ocupação artística do espaço antes de sua transformação definitiva.
“Existe algo de muito potente em habitar esse lugar exatamente agora, neste intervalo entre o que foi e o que ainda vai ser”, afirma Rafael Gomes. “O espetáculo acontece nesse estado de passagem. São, também, os sonhos que virão.”
SERVIÇO
HAMLET, SONHOS QUE VIRÃO
de William Shakespeare
Direção: Rafael Gomes
Adaptação: Bernardo Marinho e Rafael Gomes
Tradução: Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harrington
Elenco: Ícaro Silva, Susana Ribeiro, Eucir de Souza, Samya Pascotto, Fafá Renó, Bruno Lourenço, Daniel Haidar, Felipe Frazão, Rael Barja, Davi Novaes, Conrado Costa, Giovanna Barros e Lua Dahora
Cenografia: André Cortez
Iluminação: Wagner Antônio
Figurino: Alexandre Herchcovitch
Visagismo: Pamela Franco
Trilha Sonora: Antonio Pinto e Barulhista
Design de Som: Gabriel D’Angelo e Fernando Wada
Design Gráfico: Izabel Menezes
Diretor Residente: Victor Mendes
Direção de Movimento e Coreografia: Fabrício Licursi
Diretor de Produção: Rafael Rosi
Coordenação de Produção: Luciana Fávero
Produtor Executivo: Diogo Pasquim
Realização: Art’n Company, Substância Filmes e Viva do Brasil
Sinopse:
Após a morte do rei da Dinamarca, o príncipe Hamlet vê seu tio assumir o trono e casar-se com sua mãe. Suspeitando das circunstâncias da morte do pai, Hamlet decide fingir loucura para investigar a verdade e testar os limites do poder, das paixões humanas e da própria razão.
Local: Nu Cine Copan
(Av. Ipiranga, 200 – Centro – São Paulo/SP)
Entrada pela Galeria do Copan
Quando: de 16 de maio até 13 de julho
Quintas e sextas às 20h30
Sábados às 16h e 20h
Domingos às 17h
Ingressos: à venda no site https://nucinecopan.byinti.
Duração: 130 min, sem intervalo
Capacidade: 360 lugares
Classificação indicativa: 14 anos
ÍCARO SILVA
Ícaro Silva ganhou projeção nacional ainda jovem com Malhação e consolidou sua presença na televisão com trabalhos em novelas e séries como Joia Rara, Pega Pega, Verão 90, Cara e Coragem, Verdades Secretas 2 e Garota do Momento, todas na Rede Globo. No streaming, teve papel de destaque em duas temporadas de Coisa Mais Linda (Netflix) e, mais recentemente, protagonizou a minissérie Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente (HBO Max), produção de forte repercussão crítica (prêmio APCA 2025 de melhor série).
No cinema, esteve em Sob Pressão (2016), Elis (2016), Legalize Já! (2018), além de atuar sob direção de Rafael Gomes em 45 Dias Sem Você (2018), Música para Morrer de Amor (2019) e Amigos Sem Compromisso (2024).
No teatro, destacou-se ao interpretar Jair Rodrigues em Elis – A Musical e ao protagonizar S’imbora – A História de Wilson Simonal, além de atuar em montagens como Rock in Rio – O Musical e Romeu e Julieta. Também criou e protagonizou o show Ícaro and the Black Stars, com o qual excursionou por diversas cidades brasileiras.
Foi ainda a voz brasileira de Simba nas versões live-action de O Rei Leão (2019) e Mufasa (2024), além de se tornar o narrador oficial da série Harry Potter em audiobook.
RAFAEL GOMES
Estreou na autoria e direção teatral com o espetáculo “Música para Cortar os Pulsos” (2010), vencedor do prêmio da APCA de Melhor Peça Jovem. Como dramaturgo, assinou os espetáculos “Edukators” (2013), “Talvez uma História de Amor” (2013), os infantis “Mas Por Quê – a História de Elvis” (2015 – Prêmio APCA de Melhor Musical Infantil) e “Lá Dentro Tem Coisa”, e o solo “Eu de Você”, de Denise Fraga. Em sua companhia, a Empório de Teatro Sortido, assinou a direção e adaptação de “O Convidado Surpresa” (2014), de Gregoire Bouillier; dirigiu “Gotas d’água Sobre Pedras Escaldantes” (2014), de Rainer W. Fassbinder [três indicações ao Prêmio Shell SP]; co-dirigiu “Não Nem Nada” (2014), de Vinicius Calderoni [duas indicações ao prêmio Shell SP]; e dirigiu “Os Arqueólogos” (2016), de Vinicius Calderoni [Prêmio APCA de Melhor Autor].
Consagrou-se com a direção de “Um Bonde Chamado Desejo” (2015), protagonizada por Maria Luisa Mendonça e Eduardo Moscovis [Prêmio Shell SP – Melhor Direção, Atriz e Cenário; prêmio APTR – Melhor Produção; prêmios APCA, Aplauso Brasil e Arte Qualidade Brasil - Melhor Atriz], antes de adaptar e dirigir “Gota d’água [a Seco]” (2016), uma releitura do musical de Chico Buarque e Paulo Pontes, protagonizada por Laila Garin [prêmios Cesgranrio, Bibi Ferreira, Aplauso Brasil, indicações ao Shell, APTR, APCA, entre outros].
Seus espetáculos mais recentes foram a estreia brasileira de "Shakespeare Apaixonado” (2024), com Rodrigo Simas, Carla Salle e Ana Lúcia Torre; e o musical original "Nossa História com Chico Buarque” (2024), que celebrou 80 anos do compositor com temporadas esgotadas e aclamação crítica.
No audiovisual, Rafael escreveu e dirigiu quatro longas-metragens de ficção (“45 Dias Sem Você”, “Música Para Morrer de Amor”, “Meu Álbum de Amores” e “Amigos Sem Compromisso”), e roteirizou mais de 90 episódios de séries em diferentes formatos. Trabalhou ainda com projetos musicais diversos, com artistas como Gal Costa, Arnaldo Antunes, Pato Fu, Marcelo Camelo, entre outros.
A COMPANHIA
Fundada em 2010 por Rafael Gomes e Vinicius Calderoni, a Empório de Teatro Sortido consolidou-se como um coletivo de autores-encenadores voltado à criação de dramaturgia própria e à reinvenção de textos clássicos. Em mais de uma década e meia de atuação, estreou 10 espetáculos que conquistaram crítica e público, especialmente entre plateias jovens, fortalecendo a formação de novos espectadores. Entre as produções de destaque estão “Música para cortar os pulsos” (Prêmio APCA 2010 – Melhor Peça Jovem), “Um bonde chamado Desejo” (Prêmio Shell SP– Melhor Direção, Atriz e Cenário), “Os arqueólogos” (Prêmio APCA – Melhor Autor) e a Trilogia Placas Tectônicas, contendo as peças “Não Nem Nada”, “Ãrrã” (Prêmio Shell – Melhor Autor) e “Chorume”. A encenação site-specific de “Hamlet, Sonhos que Virão” celebra os 15 anos do coletivo.



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