Sustentabilidade passa também pelo ar-condicionado e pela refrigeração
Congresso realizado pela ASBRAV vai debater soluções para tornar ambientes climatizados e sistemas de frio mais eficientes, econômicos e sustentáveis
A transição para modelos mais sustentáveis passa diretamente pelos sistemas que mantêm ambientes climatizados, refrigerados, ventilados e aquecidos. Com impacto relevante no consumo de energia de edificações, indústrias, comércios, hospitais e demais estruturas, o setor de Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado e Refrigeração (AVAC-R) tem papel estratégico na redução de emissões e na busca por soluções mais eficientes.
O tema estará em debate no Mercofrio 2026, 15º Congresso Internacional de Ar Condicionado, Refrigeração, Aquecimento e Ventilação, que ocorre de (15 a 17 de setembro), no BarraShoppingSul, em Porto Alegre. Realizado pela Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Aquecimento e Ventilação (ASBRAV), o evento terá como tema central “AVAC-R Inteligente: IA, Eficiência e Qualidade do Ar para um Planeta Sustentável”.
Entre os assuntos em destaque estão a escolha adequada de equipamentos, o uso de fluidos refrigerantes de menor impacto ambiental, a manutenção preventiva, a automação, a recuperação de energia, as bombas de calor e o desenvolvimento de projetos alinhados às metas climáticas. A descarbonização, nesse contexto, depende da combinação entre conhecimento técnico, investimento, operação eficiente e tomada de decisão baseada em dados.
Para o engenheiro mecânico, cofundador da DeHeat Consultoria em Sistemas Térmicos, diretor adjunto de Eficiência Energética e Descarbonização da ASBRAV, diretor de Marketing do Mercofrio 2026 e conselheiro do ASHRAE South Brazil Chapter, Heitor Tremea, o setor já conta com recursos técnicos para avançar, mas ainda precisa ampliar a compreensão prática sobre o tema.
“O setor possui ferramentas suficientes para contribuir com a descarbonização, mas ainda falta conhecimento aplicado para transformar tecnologia em resultado efetivo. Não basta ter equipamentos mais modernos. É necessário saber projetar, instalar, operar e manter esses sistemas da forma correta”, destaca.
Segundo ele, controles avançados, instrumentação, automação, fluidos de baixo Potencial de Aquecimento Global (GWP), redução de cargas de refrigerantes, uso de fluidos secundários, alternativas naturais e bombas de calor estão entre os caminhos já disponíveis para melhorar a performance dos sistemas e reduzir impactos ambientais.
Na avaliação do engenheiro mecânico, especialista em climatização, diretor da pasta de Eficiência Energética e Descarbonização da ASBRAV e presidente-eleito do ASHRAE South Brazil Chapter, Lucas de Borba, o setor está tecnicamente preparado e ocupa posição de vanguarda na discussão, embora a adoção em larga escala ainda enfrente barreiras econômicas e regulatórias no Brasil.
“O mercado brasileiro ainda está no início da curva de adoção quando falamos em descarbonização, mas a próxima década será decisiva. O desafio é sair da consciência técnica e avançar para a implementação. Isso passa por investimento, incentivos, legislação, linhas de crédito e pela capacidade de avaliar cada empreendimento de forma holística”, afirma.
Lucas de Borba observa que a substituição de fluidos refrigerantes de alto GWP é uma das medidas mais lembradas, mas não pode ser analisada isoladamente. Em alguns casos, a troca pode afetar o consumo energético do sistema, o que exige avaliação global da solução. Por isso, a eficiência deve considerar o desempenho total, e não apenas indicadores pontuais.
A pauta também se conecta ao avanço do mercado regulado de carbono no Brasil e às futuras exigências ambientais que podem afetar setores produtivos, edificações públicas e empresas com maior volume de emissões. Para os especialistas, mecanismos de compensação, como créditos de carbono, podem fazer parte da estratégia, mas não substituem ações estruturais de redução de consumo e melhoria operacional.
O Mercofrio 2026 reunirá esse conjunto de discussões em uma programação técnica e acadêmica voltada aos desafios atuais e futuros do AVAC-R. Além da descarbonização e sustentabilidade, o congresso abordará qualidade do ar interno, segurança alimentar e cadeia do frio, normas técnicas, legislação, inteligência artificial aplicada ao setor e inovação em sistemas térmicos.
Mais informações sobre o Mercofrio 2026 podem ser obtidas no site www.mercofrio.com.br.
Redação: Marcelo Matusiak



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