Atlântico Sertão encerra temporada no CCBB SP com encontro entre artistas, curadores e pesquisadores
Programação gratuita em 1º de agosto discute memória, reparação histórica e o potencial transformador da arte contemporânea; mostra encerra em 03/08
Uma programação especial que inclui a participação da artista Rosana Paulino marca a reta final da exposição Atlântico Sertão no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). No próximo sábado, 1º de agosto, das 11h às 13h, os visitantes podem participar dos debates "Atlântico: travessias em defesa dos direitos humanos" e "Sertão: ancestralidade e reparação histórica", que convidam a refletir sobre a produção artística como instrumento de transformação social, preservação da memória e defesa dos direitos humanos.
Participam dos encontros o curador Jean Carlos Azuos, a idealizadora do projeto Marina Maciel, o professor Álvaro Luiz Travassos de Azevedo Gonzaga e as artistas Rosana Paulino, Lidia Lisboa e Juniara Albuquerque. Ao longo da conversa, serão abordadas as relações entre criação artística, ancestralidade, memória, resistência e os desafios de construir novas narrativas diante das permanências da violência colonial.
As mesas dialogam diretamente com o percurso expositivo. Enquanto "Atlântico: travessias em defesa dos direitos humanos" revisita a trajetória do Coletivo Atlântico e sua atuação artística e política, "Sertão: ancestralidade e reparação histórica" aprofunda questões ligadas à memória coletiva, aos saberes ancestrais e aos processos de reparação, presentes nas obras reunidas na exposição.
Sobre os participantes
Jean Carlos Azuos: curador e pesquisador, é mestre em Artes pelo IART/UERJ e doutorando em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Atua em curadoria e educação sob uma perspectiva contracolonial, com pesquisas voltadas às presenças negras, indígenas e LGBT+ na arte contemporânea.
Marina Maciel: Presidenta do Coletivo Atlântico, uma das idealizadoras dos projetos Atlântico Vermelho, Atlântico Floresta e Atlântico Sertão. Mestre e Doutoranda em Direito (UnB) e autora do livro Ser Tão Artista: Direitos Humanos Achados na Arte. Especialista da OEI no Estatuto Ibero-americano do Artista e Chefe Internacional do Ministério Público Federal (PFDC/MPF).
Rosana Paulino: artista, educadora e pesquisadora, desenvolve uma produção voltada às questões sociais, étnicas e de gênero, com foco nas histórias e imagens da mulher negra no Brasil. Sua obra aborda a violência racial e o legado da escravidão por meio de diferentes linguagens artísticas.
Álvaro Luiz Travassos de Azevedo Gonzaga: livre-docente em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP. Pós-doutor em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa e pós-doutor em Direito pela Universidade de Coimbra. Pós-doutor em História Identidades e Regiões pela Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD. Doutor, mestre e graduado em Direito pela PUCSP. Graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo - USP. Professor da graduação e do PPGD da PUC-SP. Professor do Meu Curso e MEGE. Já desenvolveu projetos complexos com organismos relevantes como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na representação América Latina, Ministério da Justiça (MJ) e tantos outros. Advogado. Atualmente é o Chefe do Departamento de Teoria do Direito e coordenador do Núcleo de Filosofia do Direito do PPGD da PUC-SP.
Mabel de Souza: Escritora, advogada e pesquisadora, dedica-se à preservação da memória da escravização e à promoção da justiça racial no Brasil. Reuniu um acervo próprio de documentos e instrumentos originais de tortura do período escravista, garimpados em diversos estados do país, que deu origem à exposição Ecos do Silêncio e ao livro Engenhosidade perversa. Investiga o silenciamento da história da escravização não como efeito colateral da opressão, mas como ferramenta construída pelos colonizadores — pelos instrumentos, pelas leis e pela escrita oficial.
Lídia Lisbôa: Artista visual e performer (Terra Roxa, PR, 1970; vive em São Paulo), trabalha com escultura, crochê, cerâmica, desenho e performance, tomando a autobiografia e a costura como exercícios de reconstrução e ressignificação. Integra a 36ª Bienal de São Paulo e expôs no MAR, Sesc Pompeia, Pinacoteca, Museo Madre (Nápoles) e Palais des Nations (Genebra). Participou de A Substância da Terra: o Sertão, no Museu Nacional da República e na Slag Gallery (Nova York).
Juniara Albuquerque: Artista visual (Recife, PE, 1995) que pesquisa a transformação da matéria orgânica em escultura. Utiliza ossos de animais e tintas automotivas para explorar relações entre alquimia, natureza e política. Participou da 7ª Bienal do Sertão (2025), da 31ª MAJ – Mostra de Arte da Juventude, da exposição Atlântico Sertão, no CCBB São Paulo (2026), além de exposições no Sesc Ribeirão Preto (2024) e na Casa Brasil (RJ, 2025). Suas obras integram os acervos do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo e do Museu de Arte do Rio.
A exposição
Em cartaz no CCBB São Paulo até 3 de agosto, Atlântico Sertão reúne mais de 70 artistas de diferentes regiões do país para apresentar uma releitura do sertão como território simbólico de resistência. Distribuída por todos os andares do edifício, a mostra reúne pinturas, esculturas, fotografias, instalações e obras inéditas que articulam os conceitos de "Atlântico" e "Sertão" em uma narrativa decolonial sobre identidade, exclusão, memória e a afirmação de direitos.
A iniciativa integra a terceira edição do Coletivo Atlântico, movimento formado majoritariamente por pessoas historicamente minorizadas que utiliza a arte como ferramenta de mobilização social. O projeto dá continuidade às experiências de Atlântico Vermelho, apresentada na ONU, em Genebra, e Atlântico Floresta, realizada no Museu de Arte do Rio durante a cúpula do G20, consolidando uma trajetória que transforma a produção artística em ações de incidência política.
A exposição Atlântico Sertão foi selecionada no Edital CCBB 2026-2027 e viabilizada por meio da Lei Rouanet. O projeto conta com o apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), do Instituto Guimarães Rosa, Ministério das Relações Exteriores (IGR/MRE) e Museu de Arte do Rio (MAR).
CCBB SÃO PAULO
O Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, iniciou suas atividades há mais de 20 anos e foi criado para formar novas plateias, democratizar o acesso e contribuir para a promoção, divulgação e incentivo da cultura. A instalação e manutenção de nosso espaço, em pleno centro da capital paulista, reflete também a preocupação com a revitalização da área, que abriga um inestimável patrimônio histórico e arquitetônico, fundamental para a preservação da memória da cidade. Temos como premissa ampliar a conexão dos brasileiros com a cultura, em suas diferentes formas. Essa conexão se estabelece mais genuinamente quando há desejo de conhecer, compreender, pertencer, interagir e compartilhar. Temos consciência de que o apoio à cultura contribui para consolidar sua relevância para a sociedade e seu poder de transformação das pessoas. Acreditamos que a arte dialoga com a sustentabilidade, uma vez que toca o indivíduo e impacta o coletivo, olha para o passado e faz pensar o futuro. Com uma programação regular e acessível a todos os públicos, que contempla as mais diversas manifestações artísticas e um prédio, que por si só já é uma viagem na história e arquitetura, o CCBB SP é uma referência cultural para os paulistanos e turistas da maior cidade do Brasil.
SERVIÇO
Encontros: "Atlântico: travessias em defesa dos direitos humanos" e "Sertão: ancestralidade e reparação histórica"
Local: CCBB São Paulo - Cinema
Data: 1º de agosto
Horário: 11h
Ingressos: Gratuitos, disponíveis 1 hora antes da atividade na bilheteria do CCBB SP e em www.bb.com.br/cultura.
Exposição: Atlântico Sertão
Data: Até 03 de agosto de 2026
Horário: das 9h às 20h, exceto às terças
Local: CCBB São Paulo - Rua Álvares Penteado, 112 - Centro
Gratuito
Informações CCBB São Paulo
Funcionamento: Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças
Contato: (11) 4297-0600 | E-mail: ccbbsp@bb.com.br
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas - necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h.
Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Entrada acessível CCBB SP: pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.



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