Marina Helou, autora da lei que baniu celulares das escolas de São Paulo, lança livro sobre o impacto das redes sociais em crianças e adolescentes
Quem está formando os nossos filhos? reúne pesquisa científica e experiências pessoais em manifesto com caminhos concretos para uma relação mais equilibrada com a tecnologia
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| Editora Tinta-da-China |
Durante uma visita a uma escola como parte de sua atividade parlamentar, a deputada paulistana Marina Helou se espantou com o silêncio no recreio. Em vez de ocuparem o tempo com brincadeiras e conversas, os estudantes estavam absorvidos em seus celulares.
A cena ilustra um fenômeno que ultrapassa os muros escolares e tem mobilizado famílias, educadores e pesquisadores. Em Quem está formando os nossos filhos? Manifesto por uma infância e adolescência livres de telas, lançamento de agosto da Tinta-da-China Brasil, a autora analisa os impactos dessa nova realidade e propõe caminhos práticos para enfrentá-los.
Um ano após a aprovação da lei de sua autoria em São Paulo, Helou afirma que a restrição aos celulares durante o período escolar foi apenas o primeiro passo. “A escola ocupa apenas uma parte da vida das crianças e dos adolescentes. O livro vai além da legislação e propõe uma reflexão sobre o desenvolvimento saudável na infância e na adolescência.”
O livro parte de uma constatação simples: a geração que hoje cresce conectada às telas vive uma experiência inédita na história. Embora o meio digital traga facilidades inegáveis para a comunicação e o acesso à informação, também expõe crianças e jovens a ambientes projetados para capturar a atenção e prolongar o tempo de permanência em frente às telas. Os efeitos dessa mudança vêm sendo estudados por especialistas de diversas áreas e já aparecem há alguns anos no cotidiano de famílias e escolas.
A obra reúne pesquisas científicas, observações de campo e experiências pessoais acumuladas ao longo dos últimos anos para analisar como celulares, redes sociais e plataformas digitais vêm influenciando a aprendizagem, a saúde mental, os relacionamentos e a formação de valores de crianças e adolescentes.
Ao longo dos capítulos, a autora apresenta evidências sobre sete aspectos que sofrem os impactos do uso indiscriminado de celulares: aprendizagem e capacidade de atenção; desenvolvimento socioemocional; saúde mental; formação de valores; dessensibilização diante de violência, misoginia, racismo e pornografia; crimes on-line; e desigualdade social. Em linguagem acessível, o livro traduz para o público não especializado um debate que ganhou urgência e dimensão internacional.
A experiência na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp) ocupa lugar importante nessa reflexão enquanto Marina Helou narra como a percepção crescente dos impactos dos celulares no ambiente escolar contribuiu para a elaboração do projeto de lei que proibiu o uso desses dispositivos nas escolas do estado. Aprovada por unanimidade e sancionada em 2024, a iniciativa ajudou a impulsionar uma discussão que depois chegou ao Congresso Nacional e resultou na aprovação de uma legislação federal sobre o tema.
Os resultados observados após a implementação da medida também aparecem no livro. A autora menciona relatos de educadores, gestores e estudantes sobre mudanças na convivência escolar e na atenção e participação durante as aulas. Entre os aspectos destacados está a retomada dos intervalos como espaço de interação entre colegas, uma transformação que ficou simbolizada justamente pela volta do barulho nos recreios.
Sem ignorar os benefícios da tecnologia, Marina Helou, que também é mãe, procura compreender por que tantas famílias continuam entregando smartphones a crianças cada vez mais novas. O livro discute questões como o medo do atraso tecnológico, a necessidade de comunicação constante entre pais e filhos e o temor da exclusão social. Em vez de minimizar essas preocupações, a autora as reconhece como desafios reais que precisam ser enfrentados com informação e pactos coletivos.
Na parte final, Helou oferece aos leitores estratégias para uma relação mais equilibrada com as telas. Entre os caminhos apontados, há o fortalecimento dos vínculos familiares, a construção da autonomia, o estabelecimento de acordos entre os pais, de combinados claros com os filhos, e a participação das escolas e do poder público. A voz em primeira pessoa e os casos concretos testemunhados pela autora ajudam a aproximar o leitor e conduzi-lo por essa obra ao mesmo tempo breve e transformadora.
Ao reunir evidências científicas e propostas práticas, Quem está formando os nossos filhos? contribui para um debate que diz respeito não apenas às escolhas de cada família, mas ao futuro das crianças e adolescentes em uma sociedade cada vez mais conectada.
Serviço:
Livro: Quem está formando os nossos filhos?
Autora: Marina Helou
Editora: Tinta-da-China Brasil
Lançamento: 02 de agosto
Evento de lançamento: terça-feira, 04 de agosto
Horário: 19h00
Local: Livraria da Vila Fradique – Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena. São Paulo (SP)
Sobre a Tinta-da-China Brasil
A Tinta-da-China Brasil é uma editora de livros independente, sediada em São Paulo, controlada pela Associação Quatro Cinco Um, organização sem fins lucrativos dedicada à difusão da cultura do livro.
https://www.tintadachina.com.
https://www.instagram.com/



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