De Ariana Grande a Madonna: por que a aparência das cantoras ainda domina a conversa sobre música?

“Quando uma artista lança um trabalho novo, muitas vezes a primeira crítica não é sobre a música, mas sobre a imagem. Isso dificilmente acontece com homens”, afirma o produtor e diretor musical 

Créditos: @arianagrande | @madonna | @jestfly.co | CO ASSESSORIA

 

Ariana Grande voltou aos holofotes na última semana com o lançamento do videoclipe de “Petal”, que marca uma nova fase de sua carreira. Apesar da expectativa em torno do projeto, da proposta visual e da narrativa apresentada no vídeo, boa parte da repercussão nas redes sociais e na imprensa internacional acabou concentrada em outro assunto: a aparência da cantora, especialmente sua magreza. O episódio reacendeu uma discussão recorrente na indústria musical sobre o espaço que a imagem das artistas ainda ocupa em relação à própria obra.

Para o produtor e diretor musical JESTFLY, existe uma diferença importante entre analisar a identidade visual construída por uma artista e transformar seu corpo no principal assunto do lançamento. Segundo ele, a estética sempre fez parte da linguagem do pop, mas frequentemente deixa de ser interpretada como elemento artístico para se tornar alvo de julgamento. “Imagem também é linguagem, também comunica e faz parte da construção de um álbum ou de um videoclipe. O problema começa quando a discussão deixa de ser sobre a proposta artística e passa a ser sobre peso, idade ou aparência física. Nesse momento, a música deixa de ocupar o centro da conversa”, afirma.

O caso de Ariana não é isolado. Madonna enfrentou durante décadas debates sobre envelhecimento e sexualidade que frequentemente superaram a discussão sobre seus discos. Britney Spears viu sua aparência se transformar em manchete durante diferentes fases da carreira, enquanto Christina Aguilera também precisou responder repetidamente a comentários sobre seu corpo em vez de seus lançamentos. Em comum, todas viveram momentos em que o impacto visual gerou mais repercussão do que o conteúdo artístico que estavam apresentando ao público.

Na avaliação de JESTFLY, essa diferença de tratamento continua sendo uma característica da indústria musical. “Quando um homem lança um álbum, normalmente as primeiras análises falam da produção, das composições, dos arranjos ou da performance. Com as mulheres, ainda existe uma tendência de começar pela aparência. É uma lógica que atravessa décadas e que faz muitas artistas precisarem defender o próprio corpo ao mesmo tempo em que apresentam um novo trabalho. A música deveria abrir a conversa. A aparência não deveria encerrar o debate antes mesmo de ela começar”, conclui.

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