Demanda por flores permanentes avança com realismo, praticidade e novos usos na decoração

Evolução dos materiais amplia utilização dentro de casa e em eventos, onde combinação com espécies naturais ajuda a reduzir custos e aumentar a durabilidade dos arranjos

Divulgação

Variações entre pétalas, diferenças de tonalidade e texturas menos uniformes são alguns dos recursos utilizados para aproximar as flores permanentes das encontradas na natureza. O ganho de realismo vem acompanhado do aumento das possibilidades de uso, que vão da decoração residencial às grandes produções de eventos, impulsionadas por demandas de praticidade, durabilidade e controle de custo.

Esse movimento é reflexo da evolução dos materiais. Tecidos mais rígidos e acabamentos plásticos deram lugar a opções como seda e silicone, capazes de reproduzir inclusive o toque de algumas espécies. Na Villaggio das Flores, distribuidora especializada no segmento, a percepção é de que esse avanço ajudou a ampliar a presença desses produtos principalmente entre profissionais de festas e eventos.

“A procura aumentou, principalmente entre os decoradores de aniversários e casamentos. Antes, o mercado era muito concentrado nas flores naturais, mas temos observado um crescimento das permanentes. A qualidade também melhorou a partir de materiais mais sofisticados e produções mais detalhadas, que resultam em uma aparência mais próxima da natural”, afirma Sara Dispo, assistente administrativa da Villaggio das Flores.

Nos eventos, o movimento não significa necessariamente substituir as flores naturais. Uma das estratégias adotadas pelos profissionais da área é mesclar os dois tipos de flores em uma mesma composição. As espécies naturais ficam em maior evidência, enquanto as permanentes ajudam a preencher estruturas e dar volume aos arranjos. 

Divulgação

Além de reduzir a quantidade de flores frescas necessárias e, consequentemente, o custo da produção, a combinação oferece maior previsibilidade para montagens realizadas sob condições climáticas menos favoráveis. As flores de corte são sensíveis à temperatura e, em eventos ao ar livre ou realizados em regiões mais quentes, precisam manter o aspecto visual preservado até o fim da celebração.

“O que ouço de decoradores é que, em situações de calor intenso, algumas espécies começam a perder o viço antes mesmo da montagem ser concluída, o que torna a combinação com permanentes uma alternativa para aumentar a resistência visual dos arranjos. Então, a demanda mais acelerada é consequência de uma junção de fatores: clima, custo e o fato de as flores permanentes estarem mais bonitas e fiéis às naturais. Agora, os decoradores conseguem oferecer composições florais elegantes e realistas”, explica Natália Porto, gerente comercial da Winmax Artigos Ornamentais.

Residências

Dentro de casa, a motivação muda. A praticidade ganha maior peso para quem deseja incorporar plantas à decoração, mas não dispõe de tempo para regas e outros cuidados frequentes. O uso também deixou de se restringir aos pequenos vasos sobre mesas e aparadores e passou a alcançar composições maiores, como jardins verticais e áreas verdes permanentes.

“Antes, era mais comum que as pessoas comprassem só uma plantinha. Hoje, querem montar algo mais visual dentro de casa. Muitas vezes é alguém que não tem o hábito ou o tempo de cuidar de uma planta natural. As permanentes atendem justamente a essa necessidade e têm uma durabilidade muito maior, chegando até a três anos se pegarem sol ou até o dobro disso se ficarem em ambientes internos”, ressalta Natália.

Entre as espécies mais procuradas, os comerciantes destacam hortênsias, orquídeas brancas e buganvílias, além de folhagens verdes e árvores permanentes. O volume também aparece como característica valorizada especialmente no mercado de eventos, enquanto, no segmento residencial, plantas de maior porte ampliam as possibilidades de levar o verde a ambientes internos.

As tendências estão entre os lançamentos apresentados na 17ª edição da ABCASA Fair, que acontece até hoje, 15 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. A evolução do segmento mostra que a escolha entre natural e permanente já não precisa ser necessariamente excludente: seja para reduzir a manutenção dentro de casa, aumentar a resistência dos arranjos ou controlar custos em grandes eventos, os dois formatos passam a dividir espaço em diferentes projetos.



Comentários

Postagens mais visitadas