No ano em que o disco que mudou o rock faz 25 anos, o indie dos anos 2000 ganha nova vida em Curitiba
No ano em que o disco que mudou o rock faz 25 anos, o indie dos anos 2000 ganha nova vida em Curitiba
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| Felipe Alves |
Em 2001, um disco chamado Is This It, da banda nova-iorquina The Strokes, virou o rock de cabeça para baixo. Guitarras cruas, produção suja, três acordes e muita vontade de reviver um rock garageiro: estava aberta a era do indie que dominaria a década e formaria toda uma geração de ouvintes. Em 2026, esse disco completa 25 anos, e o som que ele inaugurou está longe de ser peça de museu.
A prova está nos palcos de Curitiba. Cinco músicos conhecidos da cena local se juntaram na Wavers, banda que busca justamente esse território: o indie e o garage rock da virada do século, relidos com timbre e atitude muito próprios. Não é revival de nostalgia. É a mesma urgência daquele som e daquela época, mas traduzida em uma linguagem atual.
Quem está no palco
Marcelo Liberato (voz) é cantor e baterista curitibano. Subiu aos palcos ainda na adolescência, em tributos que iam dos Beatles ao Queens of the Stone Age, e depois integrou projetos de destaque da cena autoral, como Plexo Solar e Os Irmãos Carrilho, dividindo o palco com nomes como O Terno, Blindagem e Pata de Elefante, além de tocar em festivais como o Psicodália. Em 2015 entrou para os músicos residentes do Peppers, onde afiou o ofício do cover com um repertório que ia de Metallica a Justin Bieber, literalmente. Em 2018 fundou a Baile Brasa, de que fez parte como vocalista e baterista (2018-2019) e depois como baterista (2022-2025). Hoje é vocalista da Abacachic e da Wavers.
Nikolas Quadros (guitarra) é o fio que costura a história. Começou em 2004 na banda Polaroides, em residência às quintas no Empório São Francisco, abrindo os shows de Syd Vinicius, e no mesmo ano fundou, com Tato França, a Mariatchis, ativa até hoje e com obras lançadas. Em 2007 criou a Welcome, the Strokes (o nome já entrega a origem do som), residente do Sláinte Irish Pub e com shows pelo interior do PR e de SC. Depois vieram a GarageModerna (2008) e, em 2009, a Pepperland, que se tornaria a YOLO ao se unir à Poppers em 2018. Pepperland e Poppers foram residentes do Peppers por quase dez anos. Ainda em 2010, fundou a Watch out for the Hounds, de gipsy folk, que rodou festivais e somou parcerias de peso como Jaime Silveira, Vincent Moon e Uyara Torrente.
Fernando Cavalaro (baixo) é também produtor musical. Nascido em Cascavel em 1985 e radicado em Curitiba desde 1996, começou aos 9 anos no teclado antes de encontrar o violão e o baixo. Formado em Publicidade, trilhou o caminho do estúdio: passou pela produtora RKS Áudio, da Rádio CBN Curitiba, até 2016, quando montou o próprio estúdio de gravação móvel, hoje dedicado a captar performances por métodos alternativos. Parceiro do estúdio Passagem de Som, já gravou boa parte da cena. Atualmente empresta o baixo de quatro cordas a quatro bandas: Mariatchis (rock), Abacachic (MPB), Wavers (indie rock) e Sleazy Grizzly Trio (country e folk).
Giovani Mezzadri (bateria) é curitibano, começou aos 11 anos e, aos 38, soma 27 de bateria e mais de 18 de palco profissional. Transitou por indie rock, stoner, metal e rock alternativo, mas também já encarou pop, MPB e rap em projetos cover e autorais. Passou por bandas da cena como BJADJ, Piano Tools, Cirque Saloon, Sinos da Leziria, Derocky e Vinsi, além de integrar a formação da Pepperland/YOLO. Com experiência de estúdio, TV e composição autoral, hoje mantém a batida na Wavers, na Vollupia, na BijÜana (indie e pop/rock dos anos 80, 90 e 2000) e na Abacachic.
João Braun (multi-instrumentista) estuda música desde criança e construiu a carreira passando por formações e estilos distintos. Foi cinco anos integrante da banda indie autoral Babies, com dois EPs compostos, gravados e produzidos por ele, e membro fundador da Club Soda, com quem tocou mais de dez anos e realizou mais de 1.200 shows. Assina como compositor, músico e produtor o projeto instrumental lo-fi Caribbean Caribou, com três álbuns e dois singles em que gravou todos os instrumentos, e integra o duo VinteVinte, com dois EPs lançados. Também desenvolveu trabalhos solo em voz e violão. Hoje soma à Wavers e à Abacachic.
Os 25 anos de Is This It dão o gancho de tempo, mas a história é local: um som global que completa um quarto de século ganha nova vida pelas mãos de veteranos de Curitiba. Rende matéria de cultura, entrevista com a banda e um recorte de memória afetiva da cena curitibana dos anos 2000.




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