O novo luxo é autoral: pequenos estilistas valorizam identidade e artesania na moda brasileira
Miss Universe Brasil, Marcella Kozinski levou ao confinamento criações de diferentes estilistas nacionais e realizou ensaio exclusivo com peça inspirada na Ilha do Mel
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Marcella Kozinski usa e valoriza pequenos estilistas que são adeptos a artesania |
Em um universo historicamente associado às grandes grifes internacionais, exclusividade começa a ganhar outros significados. Técnicas artesanais, matérias-primas naturais, produção em pequena escala e, sobretudo, a identidade de quem cria passam a compor uma nova leitura do luxo. Um movimento que também abre espaço para pequenos estilistas e ateliês brasileiros colocarem sob os holofotes uma moda feita no país e carregada de referências próprias.
Foi com essa proposta que Marcella Kozinski, Miss Universe Brasil, escolheu valorizar a moda nacional durante seu período de confinamento para o Miss Universe Brasil, em Bandeirantes, no Paraná. Ao longo da programação, a brasileira levou looks assinados por diferentes estilistas do país, transformando suas aparições também em uma vitrine para criadores nacionais.
Entre as escolhas está uma criação do Ateliê Costa Ribeiro, de Salvador, desenvolvida a partir de uma referência particularmente afetiva para Marcella: a Ilha do Mel, no litoral do Paraná.
Para apresentar o modelo, a Miss Universe Brasil realizou um ensaio exclusivo no qual a peça assume o protagonismo. A construção explora volumes, movimento e, principalmente, a textura da palha, elemento que ajuda a traduzir visualmente a conexão entre moda e natureza proposta pelo look.
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Divulgação Marcella Kozinski usa e valoriza pequenos estilistas que são adeptos a artesania |
Mais do que um recurso estético, a palha funciona como parte do conceito. Associada ao fazer manual e à paisagem natural brasileira, ela ganha uma interpretação sofisticada ao ser trabalhada em uma silhueta de impacto. As fibras criam diferentes camadas e movimentos, enquanto a tonalidade natural estabelece uma relação imediata com a areia, a vegetação e a atmosfera litorânea que inspiraram a criação.
O resultado passa longe de uma representação literal da Ilha do Mel. A paisagem aparece transformada em linguagem de moda: a areia vira cor e textura; o vento, movimento; a natureza, matéria.
“Levar para o confinamento estilistas brasileiros de diversas regiões foi uma maneira de mostrar que o nosso país é rico, plural e criativo. É nisso que quero trabalhar e continuar investindo, em peças exclusivas, ateliê personalizado e o nome do país para todos os veículos no Brasil e no mundo”, explica Marcelle.
É justamente nessa capacidade de reinterpretar referências brasileiras que pequenos criadores encontram um espaço particular dentro da moda contemporânea. Em vez da produção massificada, entram em cena peças desenvolvidas em menor escala, técnicas manuais e uma relação mais próxima entre criação, matéria-prima e quem irá vestir o resultado.
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Divulgação Marcella Kozinski usa e valoriza pequenos estilistas que são adeptos a artesania |
A escolha também aponta para uma brasilidade menos óbvia. Não é necessário recorrer às cores da bandeira, às estampas tropicais ou a símbolos imediatamente reconhecíveis para comunicar a origem de uma criação. Ela pode estar na matéria, no saber artesanal, na paisagem que inspira uma peça e na história que existe por trás dela.
Nesse cenário, até mesmo o significado de exclusividade se transforma. O valor deixa de estar necessariamente ligado ao tamanho ou à projeção internacional de uma etiqueta e passa também pelo tempo dedicado à execução, pela técnica empregada e pela possibilidade de vestir algo pensado e produzido fora da lógica industrial.
Ao levar diferentes estilistas brasileiros para o confinamento do Miss Universe, Marcella amplia esse discurso para além de um único look. A moda passa a integrar sua própria forma de representar o Brasil, abrindo espaço para diferentes olhares, regiões e maneiras de interpretar a identidade nacional.
A criação do Ateliê Costa Ribeiro sintetiza essa proposta. Produzida em Salvador e inspirada em uma paisagem do Paraná, a peça estabelece uma ponte entre dois territórios brasileiros por meio da moda e mostra como elementos tradicionalmente ligados ao artesanal podem assumir uma linguagem contemporânea.
No ensaio exclusivo, a palha deixa de ser coadjuvante para se tornar elemento de moda. Sua textura, seu movimento e sua origem natural ajudam a construir uma imagem em que o feito à mão não aparece como contraponto ao luxo, mas como parte dele.
Para Marcella Kozinski, vestir o Brasil passa também por vestir quem cria no Brasil. E, em uma indústria cada vez mais veloz e globalizada, colocar pequenos estilistas nacionais em evidência pode ser uma das formas mais contemporâneas de representar a moda brasileira





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