Cia. Dos à Deux estreia espetáculo CONFUZO (está escurecendo dentro de mim) no CCBB São Paulo em setembro

Com texto e direção de André Curti e Artur Luanda Ribeiro, a peça reflete sobre o corpo que resiste e o desejo de pertencimento em um tempo em colapso total. Em cena, ator pedala em uma bicicleta que gera energia para abastecer a própria luz do espetáculo

Crédito: Victor Pollak
Conhecida internacionalmente por seu trabalho de teatro gestual e visual, a Cia. Dos à Deux explora pela primeira vez a palavra em cena em CONFUZO (está escurecendo dentro de mim), que estreou no Rio de Janeiro e agora tem sua estreia paulistana no CCBB São Paulo. O espetáculo fica em cartaz por lá de 10 de setembro a 18 de outubro, com sessões às quintas e sextas, às 19h, e aos sábados e domingos, às 18h.
Com direção, dramaturgia, cenografia e performance de André Curti e Artur Luanda Ribeiro, o texto inédito nasce do gesto e retorna a ele, não como explicação, mas como matéria poética, fricção e pensamento encarnado. A encenação articula teatro gestual, palavra, luz, som e artes visuais, criando uma experiência sensorial e simbólica em que o escurecimento não representa o fim, mas o início de outra forma de ver, de dizer e de existir.
Além disso, a tecnologia também se torna dramaturgia: em cena, Artur Luanda Ribeiro pedala em uma bicicleta que gera energia elétrica para abastecer a própria iluminação da peça. “O corpo funciona como usina, o cansaço transforma-se em matéria cênica. A luz nunca é plena ou estável — é intermitente, precária, vulnerável. Uma luz que pode falhar a qualquer instante, como falha o fôlego, como falha a esperança. Ao tornar visível o custo físico da iluminação, o espetáculo explicita aquilo que normalmente permanece oculto: o esforço humano necessário para manter o mundo - e a si próprio - aceso”, define o criador.
Na trama, o Homem-Árvore insiste em lançar raízes sobre um solo que o rejeita. Sua existência desafia um mundo que decide quem pode ou não pertencer. Ao seu lado, o Homem-Luz pedala sem descanso uma bicicleta que produz a energia elétrica da própria cena. Cada volta mantém a luz acesa. Cada volta também o esgota. Enquanto ilumina o mundo, escurece por dentro. Sua luz torna-se, ao mesmo tempo, potência e desgaste, sobrevivência e sacrifício.
CONFUZO (está escurecendo dentro de mim) é uma fábula contemporânea sobre o corpo que resiste e sobre o desejo de pertencimento em um tempo de colapso social, ambiental e emocional.​
Sobre a encenação
A imagem desse Homem-Árvore, uma planta deslocada do solo, torna-se o símbolo central do espetáculo. “Ela representa o humano contemporâneo — suspenso entre o desejo de enraizar-se e a impossibilidade de permanecer. É um corpo em exílio, que tenta sustentar o peso da memória sem perder o equilíbrio diante de um mundo em constante movimento. A árvore cresce onde não deve, e se torna o retrato da condição humana — bela, frágil, deslocada”, revela André Curti.
“Metaforicamente, para mim, carregar a árvore é carregar aquilo que insiste em crescer dentro da gente: memória, tempo, desejo, raízes, perdas. Em muitos momentos sinto o peso físico dela como o peso das próprias escolhas e das histórias que atravessamos sem perceber. É quase como transportar um mundo inteiro nas costas. No espetáculo, essa árvore leva o personagem à exclusão da sociedade, apontado como ‘o diferente’, o ‘não pertencente’ e, portanto, proibido de se enraizar, mesmo sendo dessa terra como todos os outros”, acrescenta.
E sobre a figura do Homem-luz, Artur Luanda Ribeiro comenta: “Existe algo profundamente pessoal no fato de a luz depender do meu próprio movimento, porque muitas vezes tenho a sensação de que também sigo pedalando na vida para que certas luzes não se apaguem — dentro de mim, no trabalho, nos afetos, na criação. O corpo acaba revelando aquilo que as palavras nem sempre conseguem dizer: o desgaste, a insistência, a fragilidade e, ao mesmo tempo, a vontade de continuar. O Homem-Luz me atravessa justamente por isso. Ele transforma em imagem uma sensação que conheço intimamente: a de que parar às vezes parece impossível. E talvez a própria dramaturgia tenha nascido daí — desse lugar onde esforço, resistência e escuridão interior convivem o tempo todo”.
Já a música, assinada por Federico Puppi, também é trançada organicamente ao movimento, à palavra e à luz.
Sobre a Cia. Dos à Deux
Com 27 anos de trajetória, a Cia. Dos à Deux já se apresentou em mais de 50 países e mantém hoje sua sede no Rio de Janeiro, onde desenvolve também ações formativas e residências artísticas.
Fundada em Paris, em 1998, por André Curti e Artur Luanda Ribeiro, a Cia. nasceu de uma pesquisa inspirada na obra “Esperando Godot”, de Samuel Beckett. Descobertos no Festival de Avignon, os artistas conquistaram reconhecimento internacional apresentando suas criações mundo afora. Em 2015, após duas décadas na França, retornaram ao Brasil e criaram o Espaço Dos à Deux, na Glória, RJ — um casarão de 1846, restaurado pelos artistas e transformado em centro de criação, residência e formação artística.
Em 2026, a trajetória da companhia será celebrada com o lançamento de um documentário dirigido por Roberto Bomtempo, produzido pelo Canal Curta! e Matizar Filmes, revisitando o processo criativo e a estética interdisciplinar que consolidaram o grupo como uma das principais referências do teatro visual contemporâneo.
Ficha Técnica
Patrocínio: Banco do Brasil
Realização: Ministério da Cultura e Centro Cultural Banco do Brasil
Texto, dramaturgia, cenografia, direção e performance: André Curti e Artur Luanda Ribeiro
Música Original e Sound design: Federico Puppi
Desenho de luz /iluminação: Artur Luanda Ribeiro
Figurino: Karen Brusttolin
Cenotecnia (engenharia poética) e objetos insólitos: Dodô Giovanetti
Pesquisa - Projeto de Engenharia Elétrica / Poética (Bicicleta): Dodô Giovanetti, André Batistela, Robson de Souza Nascimento e Artur Luanda Ribeiro
Realização do projeto da engenharia elétrica / poética: André Batistela Assistente de Figurino: Maïa Flores
Alfaiate: Leonardo Ramos
Costureira Cenário: Rizo
Aderecista: Gabriel Barros | LAPE
Direção de Palco de Contrarregragem: Dodô Giovanetti
Operação de Som: Tiago Rodrigues e André Menezes
Mídias Sociais: Pedro Gaudêncio
Fotografia: Renato Mangolin
Programação Visual: Thiago Ristow
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Assistente de Produção: Pedro Gaudêncio
Produtor Executivo: Fernando Queiroz
Direção de produção: Silvio Batistela
Financeiro: Alex Nunes
Idealização e Coordenação Geral: Cia Dos à Deux
 
Sinopse
CONFUZO (está escurecendo dentro de mim)​
Dois corpos atravessam um mundo em colapso — um mundo onde a diferença se transforma em fronteira, onde pertencer, para alguns, tornou-se proibido, onde existir pode ser julgado e onde até o direito de criar raízes precisa ser defendido.
Entre luz e escuridão, movimento e exaustão, surge o Homem-Árvore, que insiste em fincar raízes em um solo que o rejeita, e o Homem-Luz, que pedala sem parar para manter acesa uma existência ameaçada de apagamento. Juntos, atravessam um território instável, onde luz e sombra, matéria e imaginação, absurdo, sonho e realidade coexistem em permanente tensão.
Serviço
CONFUZO (está escurecendo dentro de mim)
Temporada: 10 de setembro a 18 de outubro de 2026
Às quintas e sextas-feiras, às 19h; e aos sábados e domingos, às 18h
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Bilheteria: todos os dias, exceto às terças, das 9h às 20h.
Vendas online em https://ingressosccbb.com.br/cidades/sao-paulo-sp às sextas-feiras a partir das 12hs.
Capacidade: 120 lugares
Duração: 65 minutos
Gênero: Teatro Visual
Classificação: 14 anos
Sessão em Libras e bate-papo após o espetáculo: dia 26/09, sábado
 
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP
Funcionamento: Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças
Telefone: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas - necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.

Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h.

Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista. Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).

Entrada acessível: Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.

Comentários

Postagens mais visitadas