Johnny Massaro estreia monólogo inspirado no livro A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão, de Ana Suy, no Sesc Pinheiros

Com dramaturgia de Júlia Portes e direção de Helena Varvaki, a peça percorre as complexidades do amor, da solidão e dos vínculos humanos 

A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão | Crédito: Hudson Rennan 

O Sesc Pinheiros recebe, no Auditório, de 24 de setembro a 31 de outubro de 2026, a temporada de estreia do espetáculo A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão. Inspirada no livro homônimo da psicanalista e escritora Ana Suy, que já vendeu mais de 500 mil cópias, a peça é interpretada e idealizada por Johnny Massaro, com produção artística de Pablo Sanábio, dramaturgia de Júlia Portes e direção de Helena Varvaki.
 

“Podemos ler que o amor contém a solidão em seu interior, pois no coração do amor está sempre a solidão, e por isso quem não suporta a solidão também não suporta o amor”, escreve Ana Suy em trecho do livro.
 

Na trama, um guia turístico convida o público a uma visita ao coração humano. Entre a expectativa da chegada da pessoa amada e a elaboração do término dessa relação, ele conduz os visitantes por um passeio existencial e bem-humorado que reflete sobre o amor e a inevitável solidão que atravessa a existência humana.

 

“Foi um susto delicioso ver a interpretação do Johnny na adaptação do meu livro! Senti um misto de estranheza e de reconhecimento, se aproximando muito do que Freud chamou de ‘infamiliar'. Para ele, o infamiliar contempla o familiar e foi isso que vivi. Trata-se de um texto emocionante, bastante original...ao mesmo tempo em que reconheço minhas ideias, palavras e a centralidade da minha tese em "a gente mira no amor e acerta na solidão". Só uma equipe muito talentosa e com muito cuidado (que talvez seja um bom nome para o que surge quando somamos amor e solidão) poderia construir uma peça tão bonita!”, afirma Ana Suy.

 

Johnny Massaro conta que encontrou o livro em um momento desafiador de um relacionamento, há três anos. “Exigem de nós, e a gente exige de nós mesmos, que saibamos agir no exercício do amor, quando, na verdade, não é algo para o qual fomos educados”. É como Ana diz: “É porque alguém, em algum momento, nos amou, mesmo que tenha nos amado mal, que a gente aprende a amar”. “Eu me via falhando e repetindo os mesmos erros de relação em relação, geralmente culpando o outro pela falta de consciência dos meus próprios padrões e desejos. Estava cansado e curioso. A consciência de que eu precisava aprender de alguma forma aquelas informações do livro foi muito intensa e pareceu inevitável levá-lo ao palco”, revela.
 

“Deixei essa urgência falar mais alto e mandei uma mensagem para o Pablo Sanábio, amigo, ator e produtor talentosíssimo, falando sobre a ideia. Ele, se quisermos chamar de coincidência, também estava lendo o livro. Tomamos aquilo como um sinal, e cá estamos, anos depois, depois de muito amor e esforço, juntos, com uma ideia que se tornou o meu primeiro monólogo, e que tem nos emocionado diariamente”. 

 

Sobre o convite para produzir a peça, Pablo Sanábio conta: “Acho muito bonita essa coisa da sincronicidade da vida. Quando o Johnny me escreveu falando da ideia de montar a peça, eu estava justamente lendo o livro. Esse projeto tem ainda um significado especial para mim, porque ele nasce também da nossa amizade. Eu e Johnny temos uma relação de muito afeto, troca e admiração. E falar de amor, para mim, é falar também sobre o amor entre amigos. Sobre essas pessoas que a vida coloca no nosso caminho e que acabam se tornando parte da nossa história”.  

 

Como o livro de Ana Suy é uma obra psicanalítica, sem uma história explícita ou ação dramática, havia um desafio de levá-la ao teatro. “O desafio de transpor qualquer livro para o teatro já é imenso. Tratando-se de um livro de psicanálise, a coisa se intensifica. Levamos essa ideia a muitos dramaturgos e dramaturgas, que foram unânimes em dizer que seria impossível. Quando parecia que havíamos esgotado todas as nossas possibilidades, fui fazer uma série na Netflix, ‘Emergência Radioativa’, e fui apresentado à Júlia Portes, que faria minha esposa. Nos demos super bem e, em dado momento, ela me presenteou com seu livro, ‘O céu no meio da cara’, que havia sido finalista no Prêmio Jabuti. Li, amei e, meses depois, fui ver a adaptação do livro para o teatro. Foi quando pensei em convidá-la. É um felicíssimo encontro da Júlia com a Ana, da Júlia comigo, da gente com a Helena, nossa diretora, e de todas as pessoas que, organicamente, foram se juntando ao processo”, conta o ator Johnny Massaro. 
 

Dramaturgia e encenação 


Sobre esse exercício de se inspirar em uma obra sem personagens, a dramaturga Júlia Portes conta: “Gosto de pensar a partir de uma personagem e acredito que os hábitos dos personagens guardam segredos sobre eles. Por isso, a profissão exercida pode ser uma boa pista para esse enigma que é escrever uma dramaturgia. Foi assim que surgiu o guia turístico. Um guia que não conhece muito bem o lugar que está apresentando, no entanto quer que as pessoas acreditem que ele domina o que está falando. No amor, também é assim: a gente se apaixona e tenta parecer no controle, mas, na verdade, não estamos”. 
 

“Faço essa analogia e muitas outras se abrem através da figura do guia turístico. O livro, para falar das parcerias amorosas, do amor e da nossa solidão, indissociáveis, fala de várias outras parcerias, também amorosas, mas não necessariamente românticas. A dramaturgia está na intersecção entre o percurso íntimo do guia turístico e a descoberta do recorte do livro que nos interessava”, acrescenta Júlia Portes. 

 

Já a encenação, segundo a diretora Helena Varvaki, “investe no processo de escuta de nós mesmos, que fazemos ao narrar algo pessoal. É no processo de contar o vivido que repensamos o viver. Ao escorregar no que se propôs, fazer uma visita guiada ao coração, nosso guia reinventa a si mesmo. Fazemos a passagem entre teoria e criação ficcional”. 
 

A diretora destaca que, no palco, o coração estará presente como objeto: ora como instrumento de compreensão anatômica, um mapa das câmaras e passagens que nos fazem funcionar; ora como elemento plástico nas mãos do ator, capaz de transformar a biologia em poesia.
 

Segundo ela, a direção privilegia o encontro teatral e a intimidade que ele pode provocar. “A atuação parte de um lugar de vulnerabilidade - aquele que todos reconhecemos quando imersos em nosso desejo de amor. Um personagem que guia e é, ao mesmo tempo, guiado pelos espectadores numa troca sensível e atenta, usufruindo e manejando a química particular que, na arte teatral, se estabelece e se renova a cada novo encontro com o público”, observa Helena Varvaki. 

 

Sobre a experiência de fazer seu primeiro monólogo em 22 anos de carreira, Massaro lembra mais uma passagem do livro: “É fato que nascemos e morremos sozinhos, mas, entre uma ponta e outra, a nossa vida se dá em relação, com várias pessoas.” E conclui: “Nada nos livra da solidão, mas certas coisas, como os amigos e o teatro, nos lembram que não estamos sempre tão sozinhos.” 

Ficha Técnica 

Idealização e Atuação: Johnny Massaro
Inspirado na obra de Ana Suy
Produção artística: Pablo Sanábio
Direção: Helena Varvaki
Dramaturgia: Júlia Portes
Cenografia: Aurora dos Campos
Iluminação: Nina Balbi
Figurino: Sasha Meneghel
Trilha Sonora: Frederico Santiago e Pedro Sodré
Preparação corporal e coreografias: Esther Weitsman
Programação Visual: Ton Zaransa
 

Serviço: 

A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão 
Temporada: 24 de setembro a 31 de outubro de 2026. De quinta a sábado, às 20h30. Nos dias 9, 16, 17, 24 e 30 de outubro, haverá sessões também às 16h
Local: Sesc Pinheiros - Auditório - R. Paes Leme, 195 - Pinheiros - São Paulo, SP
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena)
Vendas em sescsp.org.br ou nas bilheterias das unidades do Sesc SP
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Acessibilidade: Auditório acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

 
Sesc Pinheiros  

Rua Paes Leme, 195, Pinheiros - São Paulo, SP.

Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h às 22h. Sábados: 10h às 21h. Domingos e feriados: 10h às 18h30

Estacionamento com manobrista 

 

Como Chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).

 

Acessibilidade: A unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

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