O que mais de 30 anos como sócios ensinaram aos irmãos fundadores da Ou sobre sociedade e gestão

 No Dia do Irmão, Juarez e Nelson Martini relembram o início do negócio, as decisões que mudaram a trajetória da empresa e os aprendizados de uma sociedade construída entre perfis complementares    


São Paulo, setembro de 2026 – À noite e aos sábados, enquanto ainda mantinham seus empregos, os irmãos Juarez e Nelson Martini se dividiam entre a administração e a produção de uma pequena operação instalada no porão da casa da família. Mais de três décadas depois, o negócio se transformou na Ou, empresa brasileira de organização e utilidades para a casa, com 400 colaboradores, presente em 30 países e que cresceu 26% em 2025. 

Às vésperas do Dia do Irmão, celebrado em 5 de setembro, os fundadores relembram as decisões que mudaram a trajetória da empresa e os aprendizados de construir uma sociedade familiar baseada justamente nas diferenças entre os dois. 

A ideia de empreender partiu do conhecimento técnico de Nelson em injeção plástica e de seu desejo de adquirir uma máquina para realizar serviços terceirizados como fonte de renda extra. Juarez, que tinha experiência administrativa, enxergou como poderia contribuir para o projeto. 

“O Nelson tinha o conhecimento de injeção e eu, da parte administrativa. Quando falou sobre a possibilidade de adquirir uma injetora, disse que, se ele seguisse por esse caminho, eu entraria na sociedade sem dúvida. Foram algumas conversas até tomarmos a decisão de seguir com o sonho”, conta Juarez Martini, CEO da Ou. 

Nos primeiros anos, ambos mantinham outros empregos. A operação contava ainda com um primo dos irmãos e um colaborador. À noite e aos sábados, Juarez cuidava principalmente de pagamentos, recebimentos e caixa, enquanto Nelson se concentrava na produção. Esse modelo permaneceu por cerca de sete anos. 

Naquele momento, a ambição era bem diferente da empresa que viria a existir décadas depois. “Não tínhamos a menor ideia de que alcançaríamos o tamanho que a Ou tem hoje. Nosso objetivo era somente trabalhar com terceirização de injeção. Não pensávamos em produtos próprios”, relembra Nelson Martini, diretor industrial da Ou. 

Uma das principais viradas aconteceu quando um cliente faliu e deixou uma dívida em aberto. Como parte do acerto, os irmãos receberam o molde de uma xícara térmica e decidiram fabricar e comercializar o produto para recuperar o valor que tinham a receber. O episódio colocou os empreendedores diante de uma decisão que acabaria mudando o modelo de negócio. “Não tínhamos muitas alternativas. Era seguir em frente e aproveitar a oportunidade de ter um produto próprio para recuperar o valor que nos deviam. Não houve divergência entre nós. Entendemos que era o melhor caminho, decidimos juntos e seguimos”, afirma Juarez. 

Para o executivo, aquele foi o segundo grande momento de decisão da companhia, depois da própria escolha de empreender. Os irmãos precisaram decidir entre avançar com o primeiro produto próprio ou encerrar as atividades. A aposta mudou o rumo do negócio, que deixou de atuar exclusivamente com produção terceirizada e passou a construir uma trajetória própria no mercado de utilidades domésticas. 

Mais de três décadas depois, a mudança de rota se traduz em uma operação que cresceu 26% em 2025 e segue ampliando sua presença dentro e fora do Brasil. No primeiro semestre de 2026, as exportações avançaram 29% e hoje representam cerca de 12% dos negócios da companhia. Ao longo dessa trajetória, as diferenças entre os irmãos se tornaram um dos pontos fortes da sociedade. Nelson concentrou sua atuação no conhecimento técnico e industrial, enquanto Juarez se dedicou principalmente à gestão e administração. Para os fundadores, ter competências distintas permitiu que cada um ocupasse frentes diferentes do negócio e contribuiu para a tomada de decisões. 

“Hoje podemos dizer que ainda bem que temos personalidades e características diferentes. Isso faz com que nos complementemos na forma de administrar e nas decisões. O que não pode faltar é respeito. Quando um toma uma decisão, mesmo que o outro não concorde totalmente naquele momento, existe apoio e depois alinhamos os fatos”, explica Nelson. 

Segundo o executivo, os valores transmitidos pelos pais também foram determinantes. “Ser sócio e irmão é um grande desafio e sabemos que nem sempre funciona. No nosso caso, deu muito certo. Temos uma base familiar muito sólida, que sempre foi um exemplo dentro de casa e levamos isso para a empresa.” 

A relação foi colocada à prova em diferentes momentos. Entre os períodos mais decisivos da trajetória estão a escolha de avançar com o primeiro produto próprio e, décadas mais tarde, a pandemia. Apesar das dificuldades, Juarez afirma que desistir nunca chegou a ser uma alternativa entre os irmãos. 

“Empreender sempre foi e continuará sendo desafiador. Estar à frente de uma empresa envolve muitas responsabilidades, mas olhar para tudo o que construímos e para o que ainda temos pela frente também é muito gratificante”, afirma Juarez. 

Da divisão informal à profissionalização da gestão 

Se no início Juarez cuidava da administração enquanto Nelson se concentrava na operação, o crescimento da Ou exigiu que aquela divisão informal de responsabilidades desse lugar a uma estrutura profissionalizada de gestão. 

Hoje, boa parte das decisões operacionais está nas mãos das lideranças da companhia, enquanto os irmãos concentram sua atuação nos movimentos estratégicos e investimentos de maior porte. “Temos uma equipe muito forte, que toca muito bem a empresa. Mas decisões de investimentos e movimentos de maior porte sempre conversamos antes, independentemente da área”, explica Juarez. 

Em 2025, a Ou iniciou a estruturação de sua governança corporativa, movimento que busca preparar a organização para uma nova etapa de crescimento e, no longo prazo, para o processo de sucessão. 

“Quando a empresa cresce, é preciso criar novas frentes e preparar pessoas. A equipe que construímos hoje é nossa linha de frente e nos dá muita segurança. Estamos estruturando a companhia para que, mais adiante, possamos iniciar também o processo de sucessão”, diz Juarez. 

Depois de mais de três décadas empreendendo ao lado do irmão, Juarez evita transformar a experiência em uma fórmula para sociedades bem-sucedidas, mas aponta princípios que considera fundamentais: competências complementares, capacidade de escuta, respeito às decisões e preservação dos valores que deram origem ao negócio. 

“Em todas as fases erramos e enfrentamos desafios. Procuramos entender os momentos e buscar juntos uma saída para os desafios. Também é importante não perder a identidade e saber de onde você veio. Nem sempre você tem razão, então é preciso aprender a escutar muito”, afirma. 

Ao resumir a contribuição de Nelson para a construção da empresa, Juarez volta justamente à complementaridade que deu origem à sociedade. “A principal contribuição do Nelson foi, e continua sendo, seu conhecimento técnico. Isso não tem preço e sempre nos deu muita segurança. Depois de todos esses anos juntos, eu o escolheria novamente para ser meu sócio”, conclui. 

Sobre a Ou: Com 32 anos de experiência, a Ou é referência no setor de organização, destacando-se pelo design diferenciado, inovação, funcionalidade e sustentabilidade. Presente em 30 países e com pontos de venda em todo o Brasil, a marca oferece produtos que transformam o dia a dia das pessoas, promovendo ambientes organizados e confortáveis. A sede e fábrica da Ou estão localizadas em Caxias do Sul, contando com um novo Centro de Distribuição (CD) de 23.000 m², responsável por abastecer clientes em todo o Brasil com agilidade e eficiência. Além disso, a marca possui a Casa Ou, um espaço exclusivo em São Paulo, onde clientes e parceiros podem vivenciar a essência da marca por meio de experiências e workshops voltados para a organização e bem-estar.      

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