Copa, NFL e festivais mostram por que a música entrou no radar dos investimentos das marcas

Com alta superior a 300% nas visualizações durante o Mundial e mais de 11 milhões de impressões publicitárias no Rock in Rio, dados da Vevo revelam oportunidades para anunciantes em 2027

(Créditos: Vevo)
Imagem videoclipe “We Are One”, de Pitbull

Os grandes eventos esportivos e musicais de 2026 reforçaram o potencial da música como canal estratégico para o mercado publicitário. Durante a Copa do Mundo, as visualizações do videoclipe de “We Are One”, de Pitbull, cresceram mais de 300% nos Estados Unidos, enquanto “Waka Waka”, de Shakira, registrou alta superior a 220% no dia de abertura do torneio, segundo dados da Vevo. O movimento mostra como a repercussão desses acontecimentos ultrapassa os estádios e palcos, movimentando audiências nas plataformas digitais e criando novas oportunidades de exposição para as marcas.

Para Bruno Almeida, CEO da US Media, hub de soluções de mídia e parceira exclusiva de publicidade da Vevo, os resultados mostram que a música precisa ganhar mais espaço nas estratégias dos anunciantes. “Durante muito tempo, as marcas olharam para os grandes eventos principalmente pela perspectiva do patrocínio. Hoje, o consumo digital permite ampliar essa presença e alcançar públicos que já demonstram interesse por determinados artistas e conteúdos. Isso abre espaço para estratégias de mídia mais segmentadas e acessíveis a diferentes perfis de anunciantes”, analisa.

Festivais que tiveram destaque no Brasil

No Brasil, o projeto Todo Mundo no Rio, que levou Shakira à Praia de Copacabana em maio de 2026, reforçou a presença dos grandes shows no calendário de entretenimento. O potencial desse movimento já havia sido demonstrado na edição anterior, com Lady Gaga. Segundo levantamento da US Media com base em dados do YouTube Charts sobre vídeos da Vevo, o consumo de conteúdos da artista cresceu mais de 130% no período do espetáculo de 2025. No dia da apresentação, as visualizações chegaram a aproximadamente 4,45 milhões e permaneceram acima dos níveis anteriores ao evento durante os dias seguintes.

No Rock in Rio 2026, a movimentação da audiência também se refletiu nos resultados publicitários. Campanhas veiculadas em conteúdos da Vevo geraram mais de 11 milhões de impressões, com taxas de conclusão superiores a 95% em anúncios curtos e visibilidade aproximada de 90%. O levantamento identificou ainda uma intensificação do consumo de vídeos dos artistas do line-up nos dias próximos às apresentações, especialmente durante os shows.

“Os grandes eventos abrem oportunidades para as marcas que vão muito além do patrocínio tradicional. Hoje, é possível direcionar campanhas para videoclipes de artistas específicos, gêneros musicais e conteúdos associados aos festivais, alcançando públicos que já têm interesse nesses universos. Isso permite que os anunciantes aproveitem a repercussão dos shows em diferentes momentos, sem depender exclusivamente da exposição durante as apresentações”, explica Bruno Almeida, CEO da US Media.

Quando esporte e música dividem o protagonismo

A aproximação entre esporte e entretenimento foi outro destaque do ano. Em setembro, o primeiro jogo de temporada regular da NFL no Rio de Janeiro reuniu Pedro Sampaio e Ricky Martin na programação musical do Maracanã. Entre 12 e 21 de setembro, Pedro acumulou 14,6 milhões de visualizações no YouTube no Brasil, volume equivalente a cerca de 37% das 39,3 milhões de views registradas pelo artista no período mensal analisado. Já Ricky Martin somou 1,38 milhão de visualizações no mês, mantendo uma audiência recorrente no país, segundo levantamento da US Media com base no YouTube Charts.

A presença de artistas em eventos esportivos também aproxima marcas de comunidades que compartilham interesses por música e esporte. No caso da NFL, a programação musical amplia os pontos de contato com o público e permite que a repercussão das apresentações alcance consumidores que não necessariamente acompanham o futebol americano.

“Quando música e esporte se encontram, as marcas passam a ter acesso a diferentes comunidades de fãs em torno de um mesmo acontecimento. O desafio é entender onde essas audiências estão e como participar de forma relevante”, afirma Almeida.

De olho em 2027

O calendário de 2027 promete manter a música e o entretenimento no radar dos anunciantes. Em março, o Lollapalooza Brasil retorna a São Paulo, com atrações como Travis Scott, David Guetta, The Killers e Charli XCX. Entre junho e julho, o Brasil receberá pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina, com 64 partidas distribuídas por oito cidades e abertura e final no Maracanã. Em setembro, o The Town terá sua terceira edição no Autódromo de Interlagos, ampliando as oportunidades de conexão entre marcas e públicos de diferentes perfis.

A concentração desses eventos ao longo do ano também cria diferentes oportunidades para o mercado publicitário. Enquanto festivais como Lollapalooza e The Town permitem campanhas direcionadas aos fãs de artistas e gêneros musicais, a Copa do Mundo Feminina abre espaço para estratégias que conectem esporte, entretenimento e consumo digital, ampliando as possibilidades de atuação das marcas.

“O calendário de 2027 será uma oportunidade para as marcas colocarem em prática os aprendizados deste ano. Com tantos eventos relevantes, o desafio não será simplesmente estar presente, mas escolher onde investir e como aproveitar o interesse de cada público. As empresas que conseguirem fazer essa leitura terão mais condições de construir campanhas relevantes e usar a música de forma estratégica no planejamento de mídia”, conclui Almeida.

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