Mostra “Territórios, Vidas e Futuros” traz cinema, teatro e debate sobre os impactos da mineração

Realizado pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, de 13 a 15 de novembro, o evento é gratuito e acontece no Centro Maria Antonia e na SP Escola de Teatro, em São Paulo

Cena do filme Vitória Régia,que integra a programação da mostra. Crédito: Reprodução

Como a arte pode nos ajudar a compreender as crises do nosso tempo e imaginar novos futuros possíveis? Essa é a reflexão que inspira a  Mostra “Territórios, Vidas e Futuros”, que o Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT) realiza de 13 a 15 de novembro, em São Paulo. Com entrada gratuita, a programação reúne cinema, teatro, seminário e conversas com convidados para discutir como a exploração mineral afeta territórios e modos de vida e os desafios de conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e direitos humanos.

 

Em sua quarta edição, neste ano a Mostra amplia sua programação e suas atividades acontecem no Centro Maria Antonia e na SP Escola de Teatro, reunindo produções audiovisuais, apresentação teatral e diálogo com convidados. Entre os temas abordados estão a exploração do lítio e de outros minerais críticos, os impactos da mineração ao longo da história, sobre comunidades, a relação dos povos indígenas com seus territórios, as lutas por pertencimento e reconquista de suas terras,e os desafios de uma transição energética que considere também seus impactos sociais e ambientais.

 

“Queremos que a mostra seja um espaço de encontro entre arte, informação e reflexão. A mineração transforma territórios e afeta diretamente a vida de muitas comunidades. Precisamos ampliar o olhar sobre essas realidades para discutir que futuro queremos construir. O cinema, o teatro e o diálogo são formas de aproximar o público dessas histórias e de estimular novas perguntas sobre desenvolvimento, meio ambiente e justiça social”, afirma Helena Taliberti, presidente do ICLT.

 

A proposta é aproximar o público de histórias e realidades que nem sempre estão no centro das discussões sobre o futuro da economia, da tecnologia e as relações entre sociedade, natureza e desenvolvimento. Afinal, a busca por minerais estratégicos para novas tecnologias e para a transição energética também exige perguntas sobre a origem desses recursos, as condições de sua exploração e quem arca com seus custos.

 

Cinema, território e memória


O curta Chico, sobre efeitos da mineração no Vale do Jequitinhonha (MG), integra a programação. Crédito: Isis Medeiros

A programação começa na sexta-feira, 13 de novembro às 15h, com o seminário “Terras Raras”, no Centro Maria Antonia, seguido da exibição de três curtas-metragens que abordam diferentes dimensões da exploração mineral e de seus impactos, seguidos de debate e leitura de textos pela atriz Clarice Niskier.

 

Entre as obras exibidas está o documentário “Mineração, Lucro e Devastação: A farsa da transição energética”, da Fundação Rosa Luxemburgo, que discute as consequências socioambientais da atividade mineral. Também integra a sessão “Chico: - Zona de sacrifício:do ouro ao pó”, de Isis Medeiros, que aborda a exploração do lítio a partir de uma perspectiva humana e territorial, além do curta de ficção “Vitória Régia: A Resposta Somos Nós”, com destaque para a atria Alice Braga no elenco, uma ficção distópica sobre a Amazônia.

 

A sessão propõe uma reflexão sobre a exploração de minerais críticos e os dilemas de uma transição energética que não reproduza desigualdades nem ignore os impactos sobre as populações atingidas. Ao final das exibições, o debate e a leitura da atriz Clarice Niskier ampliam a discussão por meio do diálogo e da linguagem artística.

 

No sábado, 14 de novembro, às 18h, a programação segue na SP Escola de Teatro com a exibição de “Panará: A Volta dos Índios Gigantes”. O documentário acompanha a trajetória do povo indígena Panará, marcada pelo deslocamento forçado e pela luta para retornar ao território de origem. A sessão será seguida de conversa com Paulo Junqueira, do Instituto Socioambiental (ISA), sobre direitos indígenas, pertencimento, memória e resistência.

 

A programação do dia inclui, ainda, a exibição do curta Kati Ranpari Kin, de Sérgio Gag, com 85 minutos de duração. Ambientado no território Panará, na Amazônia brasileira, o filme apresenta, por meio das memórias do ancião Akã, a história de seu povo e os impactos do contato com o homem branco, que quase levou à sua extinção há cinco décadas. O documentário acompanha também o cotidiano da aldeia Nasepotiti, destacando a resistência, a força e a preservação da cultura e da identidade Panará.

 

O encerramento, no domingo, 15 de novembro, às 18h, será dedicado ao teatro. A companhia ATERRA apresenta “Ganga”, peça que aborda a história da mineração e suas consequências sociais, ambientais e humanas. Após o espetáculo, a companhia conduz uma conversa com o público, abrindo espaço para compartilhar impressões e elaborar coletivamente as questões levantadas pela obra.


A apresentação da peça Ganga, da companhia ATERRA, encerra a mostra no domingo,dia 15/11. Crédito: Divulgação



Cultura como caminho para a conscientização

 

O Instituto Camila e Luiz Taliberti é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em julho de 2019 por amigos e familiares de Camila e Luiz Taliberti, filhos de Helena, para honrar o legado dos irmãos, vítimas do rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão da Vale S.A., na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, no dia 25 de janeiro de 2019. Na mesma tragédia, Helena Taliberti perdeu também sua nora, Fernanda, que estava grávida de seu primeiro neto, Lorenzo.

A realização da mostra dialoga com a trajetória do ICLT. Desde sua fundação, o Instituto desenvolve iniciativas culturais e socioambientais voltadas à conscientização sobre as consequências da mineração, à relação da sociedade com o meio ambiente e à proteção das comunidades mais vulneráveis.

 

A atuação inclui projetos que utilizam a arte e a cultura para estimular o debate público, como o Ato público em memória das vítimas e por pedido de justiça realizado todo dia 25 de janeiro, a Mostra Cinema, Mineração e Meio Ambiente,a exposição Paisagens Mineradas,o lançamento do livro Tentam nos enterrar, não sabem que somos sementes (Ofício da Palavra), de autoria de Helena Taliberti.

 

“Criamos o Instituto a partir da sugestão dos amigos dos meus filhos e inspirado nos ideais ideiais e valores da Camila e do Luiz. A Camila era comprometida tinha um compromisso muito forte com questões sociais e com o empoderamento de grupos vulneráveis. Já o Luiz se preocupava muito com a preservação do meio ambiente. Os principais pilares do ICLT.”, afirma Helena.


Cena do curta metragem Panará, que será exibido na Mostra. Crédito: Kamikiá Kisedje/ISA


Confira a programação da mostra “Territórios, Vidas e Futuros”:

 

13/11 (sexta-feira) | 15h às 18h | Centro Maria Antonia (Rua Maria Antônia, 294, Vila Buarque São Paulo/SP)

Seminário “Terras Raras"
 

Exibição de três curtas-metragens, seguido de debate e leitura de textos com a atriz Clarice Niskier:

  • “Mineração, Lucro e Devastação: A farsa da transição energética”, da Fundação Rosa Luxemburgo (20 min): documentário sobre exploração mineral e impactos socioambientais.
  • “Chico - Zona de sacrifício:do ouro ao pó”, de Isis Medeiros e Augusto Gomes (11 min): documentário que aborda a exploração do lítio a partir de uma perspectiva humana e territorial.
  • “Vitória Régia: A Resposta Somos Nós”, do Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB (21 min): curta de ficção com Alice Braga no elenco, relacionado à mineração contemporânea.

O debate propõe uma reflexão sobre minerais críticos, impactos sobre as comunidades e desafios de uma transição energética socialmente justa. A leitura de Clarice Niskier encerra a conversa artisticamente.

Inscrições no link 

 

14/11 (sábado) | 18h às 20h | SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 - Consolação, São Paulo/SP)

Cinema e Conversa

  • Exibição do curta “Panará: A Volta dos Índios Gigantes”, do Instituto Ambiental - ISA (5 min):

O documentário acompanha a trajetória do povo indígena Panará, marcada pelo deslocamento forçado e pela luta pelo retorno ao território de origem. A sessão será seguida de conversa sobre direitos indígenas, pertencimento, memória e resistência.

  • Exibição do curta Kati Ranpari Kin (85 min), de Sérgio Gag (85 min):

No território Panará, na Amazônia brasileira, o ancião Akã relembra a história de seu povo e o contato traumático com o homem branco, que quase o dizimou há 50 anos. Entre relatos, trabalho e celebrações, o filme retrata a resistência e a força da cultura e da identidade Panará.

Seguida de conversa com Pasyma Panará e Sérgio Gag.


15/11 (domingo) | 18h | SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 - Consolação, São Paulo/SP)

Evento com acessibilidade em libras

 

Teatro e Conversa

  • Apresentação do espetáculo “Ganga, da Cia ATERRA”(90 min):

A peça aborda a história da mineração e suas consequências sociais, ambientais e humanas. Após a apresentação, haverá mediação com o público, conduzida pela companhia, para troca e elaboração coletiva das questões levantadas pela obra.


SERVIÇO

 

Mostra “Territórios, Vidas e Futuros”

Datas: 13, 14 e 15 de novembro

Locais: Centro Maria Antonia (Rua Maria Antônia, 294, São Paulo) e SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210, Consolação)

Entrada: Gratuita

Acessibilidade: Libras

Realização: Instituto Camila e Luiz Taliberti

Informações: Instagram @institutocamilaeluiztaliberti

 

Fotos para download: Link 

 

Sobre o Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT) – Entidade sem fins lucrativos fundada em julho de 2019 por amigos e familiares de Camila e Luiz para honrar o legado dos irmãos vítimas do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho (MG), em 25 de janeiro de 2019. O ICLT atua promovendo ações culturais e de sustentabilidade em prol da conscientização sobre as consequências da mineração para as comunidades, além de fazer vasta reflexão sobre o futuro da nossa sociedade, a sua relação com o meio ambiente e o cuidado com os mais vulneráveis. Entre os projetos recentes estão a Mostra de Cinema Mineração e Meio Ambiente,a exposição Paisagens Mineradas, e o lançamento do livro Tentam nos enterrar, não sabem que somos sementes, de autoria de Helena Taliberti. Saiba mais em somossementes.org.br.


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