Mural em homenagem a Milton Nascimento celebra 20ª edição de projeto que democratiza o acesso ao grafite

Desde 2019, Fábrica de Graffiti já realizou intervenções culturais em seis estados brasileiros, com a participação de cerca de 250 artistas

O mural em homenagem ao Milton Nascimento marca a 20ª edição do Fábrica de Graffiti. Crédito: Victor Abaurre

Belo Horizonte ganhou um novo cartão-postal no centro da cidade com um mural de 1.600 m² assinado pelo artista mineiro Kaká Chazz em homenagem a Milton Nascimento. Instalado em uma empena na Avenida Álvares Cabral, o trabalho reúne referências a diferentes momentos da trajetória do músico e estabelece uma relação entre a obra, a cultura mineira e a própria história de Kaká Chazz, natural de Três Pontas, cidade onde Milton Nascimento foi criado.

A obra celebra a 20ª edição da Fábrica de Graffiti, projeto que tem levado a linguagem do grafite a distritos industriais e espaços urbanos. Desde 2019, a iniciativa já passou por municípios de seis estados brasileiros, incluindo Contagem, Feira de Santana, Barra Mansa, João Monlevade, Sabará, Rio Claro, Tramandaí, Bela Vista de Minas, Vespasiano, Juiz de Fora, Ermelino Matarazzo, Diadema, Joinville, Guarulhos, Itatiaiuçu e Castro, além de Belo Horizonte. Nesse período, cerca de 250 artistas participaram dos projetos, que já ocuparam empenas de prédios, muros de indústrias, praças, pistas de skate, quadras esportivas e até um vagão de trem.

 

Este ano, o projeto fez uma homenagem, em Contagem, à Comunidade Quilombola dos Arturos.Foto: Carmen Diniz.



“A ideia é levar a arte para lugares onde ela normalmente não chega. Ao longo das edições, fomos percebendo que, além da pintura, existe todo um trabalho de mobilização das comunidades e de formação”, conta o produtora executiva do Fábrica de Graffiti, Paula Mesquita.

 

No mural em homenagem ao Milton Nascimento, o trabalho começou ainda antes da pintura. Foram cerca de três meses entre a estruturação do projeto, a captação dos recursos, que contou com patrocínio da Fundação ArcelorMittal, a definição do local e da proposta visual, a aprovação do layout com a família e a equipe do músico, a preparação da empena e a execução da obra. A reforma da estrutura levou cerca de 28 dias, com correção de imperfeições, tratamento da superfície e impermeabilização dos 1.600 m². A operação também contou com treinamento com técnico de segurança do trabalho da equipe.


Em João Monlevade 14 artistas do projeto pintaram a maior empena de Minas, com 2 mil m2. Crédito: Carmen Diniz

 

A experiência acumulada nas edições anteriores foi utilizada na organização do projeto em Belo Horizonte. Em João Monlevade, por exemplo, o Fábrica de Graffiti realizou, em 2021, uma empena de 18 metros por 50 metros, trabalho acompanhado durante dois meses por moradores da cidade. A experiência levou à realização de outras duas edições no município.

 

“Cada projeto traz aprendizados para o seguinte. Uma obra de 1.600 m² exige que todas as etapas estejam conectadas, desde a captação dos recursos e a preparação do espaço até a segurança e a execução da pintura. O que aparece para quem passa é o mural pronto, mas existe uma equipe trabalhando durante meses para que ele aconteça”, afirma Paula.

 

Além da produção dos murais, o Fábrica de Graffiti mantém uma frente de arte-educação, com atividades para estudantes de escolas públicas sobre grafite, desenho, pintura e história do movimento hip hop. Na 20ª edição, o projeto ofereceu a 50 alunos do Instituto de Educação oficinas de desenho, técnicas de pintura em tela e hip-hop, encerrando com a pintura coletiva dos muros da escola. 

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