Em comemoração ao Dia Nacional da Alfabetização, Isabella Carpaneda destaca a música e a ludicidade como aliadas da aprendizagem

Criadora de Bebeto e os Sons do Alfabeto, educadora com mais de 40 anos de experiência, reflete sobre os desafios da alfabetização no Brasil e a importância de aproximar as crianças da linguagem desde cedo.


Com mais de 40 anos de experiência na educação, a pedagoga e especialista em alfabetização Isabella Carpaneda dedica boa parte de seu trabalho ao desenvolvimento de Bebeto e os Sons do Alfabeto, projeto que aproxima o universo infantil do aprendizado da linguagem por meio da música, de personagens e de recursos pedagógicos.

Às vésperas do Dia Nacional da Alfabetização, celebrado em 14 de novembro, a educadora propõe uma reflexão sobre os desafios do ensino no Brasil e destaca a importância de garantir às crianças não apenas o domínio da leitura e da escrita, mas também o prazer de aprender.

Para Isabella, um dos primeiros pontos a compreender é que, diferentemente da fala, a leitura não é uma habilidade desenvolvida espontaneamente: exige ensino intencional e organizado. “O cérebro não vem programado para ler. [...] Isso depende do ensino”, explica, ressaltando também a importância da formação dos professores e do acompanhamento das necessidades individuais de cada aluno.

Na visão da educadora, alfabetizar vai muito além de ensinar a reconhecer letras e formar palavras. O processo também envolve fluência, vocabulário, compreensão e capacidade de produzir textos. Para despertar o interesse pela leitura, Isabella destaca duas experiências fundamentais: ouvir boas histórias desde cedo, com a mediação de um adulto, e descobrir a própria capacidade de ler.

Nesse percurso, música e brincadeiras podem funcionar como importantes aliadas, desde que estejam integradas a uma proposta pedagógica. “A brincadeira faz a criança querer participar. O ensino sistemático garante que ela aprenda. Eu acredito que as duas coisas precisam andar juntas”, afirma. A música, com seus ritmos, rimas e repetições, permite explorar os sons da língua e ampliar o contato das crianças com novas palavras de maneira envolvente.

Essa perspectiva também orienta o desenvolvimento de Bebeto e os Sons do Alfabeto. Com vários projetos audiovisuais lançados, contam com canções inspiradas em situações do cotidiano infantil, oferecendo uma possibilidade de interação com a linguagem tanto em casa quanto na escola, envolvendo crianças, familiares e educadores.

O universo do personagem conta com composições planejadas para trabalhar fonemas específicos e materiais de apoio, como fichas com onomatopeias e interjeições. “Para a criança, a música é uma porta de entrada para a linguagem. Ela canta, repete, aprende palavras novas e conversa sobre o que a canção conta. Isso amplia o vocabulário e o prazer de brincar com a língua, que fazem parte da alfabetização. Mas ouvir as músicas, por si só, não alfabetiza”, pontua Isabella.

A proposta é oferecer recursos que possam complementar o trabalho de professores e também aproximar as famílias do processo de aprendizagem, mostrando que pequenas experiências cotidianas podem estimular a curiosidade e o contato com as palavras.

Para Isabella, não se trata de escolher entre método e diversão, mas de reconhecer que ambos têm papéis importantes na formação das crianças. “O que eu quero mostrar com o Bebeto é que dá para ensinar com rigor e com alegria ao mesmo tempo”, conclui.

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